Logo nos primeiros dias de março, a preocupação tomou conta de Ramon Peres, presidente do Sindicato dos Bancários de BH e Região. O motivo era o aumento de casos da Covid-19 e a já esperada crise econômica que afetaria o Brasil. Por isso, antecipando os problemas, lideranças sindicais como Ramon buscaram estabelecer um acordo com as instituições financeiras para garantir a permanência dos empregos e a segurança dos trabalhadores durante a pandemia.
“Desde o início, os sindicatos, as federações e a Confederação correram para conversar com os bancos com o objetivo de salvaguardar a vidas dos bancários e de seus familiares. Desde o primeiro momento, pedimos para que as instituições garantissem que não demitiriam durante a pandemia. Esse período é muito complicado na história da humanidade, e entendemos que não poderíamos colocar o trabalho das pessoas em xeque no momento em que elas mais precisam do emprego”, conta Peres.
O compromisso, firmado entre as entidades e os principais bancos, foi estabelecido sob o discurso de responsabilidade social das instituições. No entanto, na prática, o acordo não está sendo respeitado. O grande problema é que, nos últimos dois meses, ao menos 1.400 empregados bancários já foram desligados de suas funções em todo o país. Apenas no Santander, por exemplo, foram 1.040 demissões desde o mês de agosto, em um movimento que inclui até mesmo o fechamento de 40 agências.
A empresa não justifica os motivos para os desligamentos e exclui qualquer possibilidade de negociação ou reversão da decisão. “Nós somos veementemente contra as demissões. O Santander quebrou o compromisso de forma unilateral e começou a demitir pessoas sem argumentos. Queremos que eles cumpram com a sua palavra e não demitam as pessoas. Nós não saímos da pandemia, os números mostram isso. São mais de 146 mil mortes [pela Covid-19] no Brasil. Nós estamos em plena pandemia ainda”, argumenta Peres.




