
Quando comecei a me interessar pelo Mundo do Vinho, as tecnologias pareciam a revolução do momento. Como melhoraram e melhoram o vinho, inclusive permitindo plantar uvas e fazer vinhos em lugares inimagináveis.
Mas isto não é tudo, a produção de vinho tem uma longa história de erros mas de muitos acertos, e é esta história que está fazendo a diferença hoje em dia na produção de bons vinhos.
O reconhecimento da sabedoria dos antigos produtores agora faz a diferença na qualidade do produto final.
Vimos isto no post sobre vinhos Biodinâmicos, onde a natureza é respeitada e levada em conta com muita seriedade.
Parece-me que produtores da região do Douro nunca deixaram de saber disto… Pelo menos alguns. Lá se encontra a pisa humana, lagares abertos e o chamado Field Blend.
Se você tomar um vinho e descobrir que a uva foi “pisada”, como dizemos feito com pisa humana, não soa “antigo”? Para que fazer isto se existem máquinas modernas e “desinfetadas”? Desinfetadas sim, porque em mais de um evento com um grande produtor de vinhos do Douro, quando ele disse sobre pisa humana, esta foi a primeira preocupação da maioria dos presentes. E é claro que ele fez piada dizendo que se lavassem os pés o vinho não teria um sabor “especial”.
Conversando com algumas pessoas que fazem este tipo de procedimento, aprendi que com as máquinas a pressão é sempre a mesma o que pode quebrar as sementes e deixar os vinhos mais amargos pela liberação dos taninos verdes. Considerando que a resistência de cada semente provavelmente muda conforme a variedade, maturação e outros fatores. Hoje já existem maquinas pensadas para reproduzir o mais parecido possível do que faz a pisa humana, mas ainda não fazem igual.

Lagares são os tanques feitos de alvenaria, onde esta pisa é feita, e onde acontece a fermentação. Mas o mais interessante, é que são abertos. Isto mesmo, a maioria dos vinhos são produzidos em recipientes fechados com controle de temperatura e nos lagares, isto acontece em contato com o ar. Talvez seja este o segredo dos bons vinhos do Douro e que agora estão sendo copiados por outros produtores.
E Field Blend? Que nome estranho… Muito pouco usado nas conversas de amigos sobre vinhos. Mas encontrada em alguns rótulos do Douro… E olha o Douro aparecendo mais uma vez… E este post nem é sobre este lugar lindo de vinhos encantadores… Não é ainda, porque não faltará esta oportunidade.

Bem, voltando ao Field Blend… Já tomou algum vinho do Douro que não encontrou o nome das uvas? Mas sim o nome do vinhedo. É que neste caso o vinhedo não tem só uma variedade de uva, já vi vinhos elaborados com mais de quarenta… Isto mesmo QUARENTA.
Isto provavelmente aconteceu pelo pouco conhecimento das variedades e também pela cruza destas variedades no mesmo vinhedo.
Neste caso a vinificação é feita toda junta, misturando diferentes castas e uvas tintas com uvas branca… Para nós leigos, dá para explicar com a expressão “deve ser o Samba do Crioulo Doido”. Imagina cada tipo de uva com uma maturação diferente e tempo de fermentação próprio… Só para os melhores profissionais, que conseguem que toda esta alquimia resulte em vinhos de alta qualidade.
No próximo post falaremos mais sobre técnicas antigas que estão sendo usadas hoje… A sabedoria melhorando os nossos vinhos…
Bem, agora vamos dar uma respirada…
Escolher um bom vinho e curtir o final de semana…