
A população de Pedregulho continua sendo prejudicada em atendimento médico por conta do impasse entre a Santa Casa e a administração do Prefeito José Raimundo de Almeida Júnior – Zezinho do Galego.
No final de semana os poucos médicos que continuaram atendendo dispensaram pacientes cuja necessidade não era urgência ou emergência, já que os postos de saúde da cidade fecham aos sábados e domingos.
Nesta segunda-feira, os médicos continuarão encaminhando os pacientes não-urgentes para as Unidades, porém com o alerta de que nestes postos da Prefeitura, estão faltando medicamentos, até mesmos os mais simples, como Dipirona.
A operação-padrão de atendimento dos médicos se iniciou na semana passada (dia 01/12), alegando atraso nos pagamentos dos subsídios da Prefeitura para o Hospital Geral Izaura Roque Quércia, cuja Santa Casa atende também os municípios de Jeriquara e Rifaina.
A paralisação do atendimento de pacientes não-urgentes ocorreu durante a semana passada e levou a Prefeitura a prestar queixa na Polícia Civil, alegando que a suposta greve dos médicos era ilegal.
A Prefeitura, através de seu Departamento Jurídico alegou que os repasses dos R$ 210 mil mensais estariam em dia e que não havia motivo para a paralisação do atendimento.
Mas não é o que informa a direção do Hospital. O Diretor Superintendente da Santa Casa de Pedregulho, Jofre Afonso de Mendonça, afirma que foi indicado pela direção da instituição, não pela Prefeitura. E diz que já procurou a Promotoria de Justiça para falar sobre a paralisação dos médicos já na quinta-feira, dia em que o movimento começou.
Em nota oficial enviada ao Jornal da Franca a direção da Santa Casa de Pedregulhoinformou o seguinte:
Não foi a Santa Casa que suspendeu o atendimento dos moradores da cidade e muito menos por falta de recursos financeiros.
Sobre o atendimento dos médicos apenas de urgência e emergência, foi uma atitude tomada por eles e não pela administração.
O repasse da Prefeitura está sendo reduzido de R$ 210 mil para R$ 160 mil para novembro e dezembro.
O repasse da Prefeitura ocorre no dia 15 de cada mês, o que está em dia até outubro/2016.
Sobre repasses antecipados (informado pela Prefeitura), não condiz com a realidade, pois o referente ao mês de novembro, que seria até 15/11 ainda não aconteceu e a Prefeitura ficou de repassar até 13/12.
Confirma que as Prefeituras de Rifaina e Jeriquara estão em dia com os repasses.
Os médicos não estariam em greve por conta das más condições de trabalho e falta de pagamento.
Os médicos que realizaram plantões em outubro estão com o pagamento atrasado desde 15/11, mas se colocaram à disposição para regularizar as certidões para assinatura de convênio com o SUS.
Médico
O médico Christian Rodrigues, que é Ginecologista e Obstetra e foi citado em Boletim de Ocorrência da Prefeitura na Polícia Civil como um dos líderes da greve dos médicos, através de sua conta no Facebook apresentou uma série de alegações à população, justificando a paralisação do atendimento.
Ele escreveu no Facebook e pediu que as pessoas compartilhassem:
“Os médicos estão pedindo demissão um a um, não existem condições de ficarmos três meses sem salários, pois não recebemos nossos salários de outubro e novembro e não há sequer previsão da prefeitura assumir o salário de dezembro, não vai ter mais 10 dias de funcionamento sem salário.
A população de Pedregulho precisa se mobilizar e cobrar dos Gestores dos seus Vereadores e do Ministério Público uma solução ou quem vai pagar a conta além dos médicos é mais uma vez é a população de Pedregulho, Rifaina e Jeriquara e outros que necessitarem de atendimento.
Repassem para o maior número de pessoas!
Obrigado; só com sua ajuda a Santa Casa de Pedregulho pode manter as portas abertas para você e sua família!”

Prefeitura
A advogada da Prefeitura de Pedregulho, Paula Teixeira, informou aoJornal da Franca, na tarde de 1º de dezembro, que a informação de médicos e funcionários da Santa Casa de Pedregulho, de que a Prefeitura não havia feito o repasse mensal não condiz com a realidade.
A Prefeitura registrou boletim de ocorrência ainda na manhã desta quinta-feira na Delegacia de Polícia de Pedregulho, mas só informou a medida no final da tarde hoje.
Na declaração da advogada à polícia, o Departamento Jurídico da Prefeitura de Pedregulho cita, especificamente, o médico e diretor clínico Christian Pedro que ao receber os advogados da Prefeitura que foram saber o porquê da suspensão do atendimento no Hospital, disse aos gritos que os médicos estavam em greve, sim, por conta das más condições de trabalho e falta de pagamento.

No Boletim de Ocorrência, o Jurídico da Prefeitura de Pedregulho afirma que os repasses estão em dia e que, inclusive, foi antecipado o repasse do mês de dezembro.
Ao Boletim de Ocorrência foram anexadas fotos dos cartazes colados na porta de entrada do hospital alertando os usuários de que os médicos da Santa casa estavam em greve devido às condições de trabalho e a falta de pagamento.
Cartazes também informavam os pacientes que não está sendo feito atendimento de psiquiatria, pediatria e exames de ultrassom.
Questionado sobre a legalidade da greve, o diretor clínico da Santa Casa, segundo registrado em Boletim de Ocorrência teria arrancado o cartaz que falava da greve dos médicos e solicitado que as pessoas entrassem para atendimento, mas sem antes ter destratado os profissionais, alegando que os mesmos estão exonerados, referindo-se ao final do mandato do atual prefeito.
O registro foi feito pelo delegado do município, Fábio Branquinho e foi justificado pelos declarantes como forma de preservação de direitos.



