
Com o anúncio do governador Geraldo Alckmin, no início da tarde desta sexta-feira, 4, de que o Estado de São Paulo estava desistindo oficialmente de implantar a reorganização do ensino, com a implantação do turno único, as duas escolas de Franca que sofreriam alterações no ensino oferecido devem estar totalmente desocupadas até a próxima segunda-feira, 7. Uma reunião, na noite de hoje, definiria o cronograma. Ao todo, no Estado, quase 200 escolas estavam ocupadas por alunos e pais.
O clima nas duas escolas ocupadas em Franca, “Orlik Luz”, no City Petrópolis, e “Suely Machado”, no Jardim Brasilândia, foi de comemoração tão logo Alckmin fez o pronunciamento. Os estudantes disseram que foi uma demonstração de que a união das pessoas pode gerar resultados incríveis. “Foi a união dos estudantes contra o peso da caneta do Estado. Felizmente, desta vez, o lado teoricamente mais fraco venceu”, disse Amanda Cristina de Souza, tia de um estudante.
Os servidores das escolas não aceitaram dar entrevista abertamente por terem medo de represálias. Mas, sob anonimato, disseram o que pensam. Para uma funcionária da Suely Machado, o governador recuou não por bom senso, mas por medo da repercussão que o caso vinha gerando e possíveis perdas eleitorais para Alckmin. “Não é que ele seja bonzinho, mas é um político com pretensões de ser até presidente. Como pode tomar uma decisão assim, tão ditatorial? Mas o que mais me deixa feliz foi ver que a voz do povo, desta vez, venceu”, afirmou.
No Orlik Luz, a opinião de uma professora é parecida. Ela entende que o exemplo dado pelos alunos tem que ser copiado em outras frentes da sociedade. “O povo não tem noção da força que tem. Se soubesse, a gente não teria tanto desmando no Brasil, como no sucateamento das escolas, unidades de saúde e outros serviços fundamentais. Tem que ficar o exemplo”, afirmou.
Nas duas escolas, todos são categóricos em dizer que as manifestações são pacíficas e que não houve estragos nas unidades de ensino.



