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Chegada de novo irmão pode gerar desconforto e ciúmes em primogênito

Especialista explica que o ciúme entre irmãos pequenos é bastante comum quando as idades são próximas

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Um dia a atenção está toda voltada para ele e, após a chegada do caçula, o irmão mais velho perde o trono de filho único. Aí não tem jeito, o ciúme pode bater na porta de sua casa. Mas especialistas em comportamento humano dizem que com o nascimento do irmão caçula, sentir um pouquinho de ciúmes é inevitável.

A professora de Educação Física, Cristina Rocha Azevedo, 36 anos, sentiu na pele essa situação. Mãe de Caio, 10 anos, e Cauã, sete anos, ela precisou ter jogo de cintura para mostrar ao primogênito que seu espaço continuaria o mesmo com a chegada do irmão. “Quando o Cauã nasceu, Caio se sentiu deixado de lado. Mas eu e o pai dele mostramos no dia a dia que a única diferença é que o caçula precisava de mais atenção naqueles primeiros períodos. Com o passar do tempo, ele foi entendendo e aceitando melhor dividir o espaço e as atenções com o irmãozinho”, conta Cristina.

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Segundo a psicóloga Patrícia Borges, o ciúme entre irmãos pequenos é bastante comum quando as idades são próximas. Nessa fase, as crianças tendem a achar que os brinquedos e até o carinho e a atenção dos pais existem exclusivamente para elas. Com o tempo, a experiência vai mostrando que tudo pode ser dividido, e que o fato de um ganhar algo – bens materiais ou atenção – não deixará o outro sem. “Entretanto, se o ciúme entre os irmãos pequenos ultrapassa a ordem da normalidade e passa a prejudicar o relacionamento familiar, algumas intervenções por parte dos pais são necessárias”, salienta.

De acordo com a psicóloga, o primeiro passo é admitir os sentimentos negativos que um irmão tem pelo outro. Assim, os pais podem ajudar os filhos a entender o que estão vivendo e o mais importante: que existe amor suficiente para todos os filhos. Foi o que fez Cristina e seu marido, Pablo, que para completar, dedicam todo o tempo livre aos filhos, de forma igual. “Saímos para passear, assistimos filmes, andamos de bicicleta, de patins, vamos para a natação, enfim, estamos sempre juntos. E mais do que o vínculo fraternal fortalecido, eles crescem sabendo que a família é uma parceria, que podem contar com os pais e com ambos. Isso não tem preço”, diz.

Como proceder

Patrícia diz que a atitude de Cristina está correta e aconselha ainda que os pais evitem fazer comparações – elas só servem para acirrar a rivalidade, uma vez que os filhos são sempre muito diferentes um do outro. “Em vez de dizer: ‘por que você não é estudioso como seu irmão?’, explique o comportamento que gostaria que a criança tivesse: ‘você precisa se dedicar mais aos estudos, por que não começa agora?”, sugere a psicóloga, acrescentando que elogiar os pontos fortes de cada filho e incentivá-los a admirar os irmãos também é importante. “Outro ponto importante é evitar demonstrações de favoritismo. Demonstrações de predileção podem ser desastrosas para a autoconfiança de uma criança, despertando fortes sentimentos de ciúmes e insegurança. Por isso, é imprescindível valorizar as diferentes características dos pequenos, enaltecendo o que eles têm de melhor e procurando admirá-los igualmente, apesar das diferenças”.

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