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Fabricantes de calçados e artigos de couro esperam guinada no 2º semestre

​A 44ª Couromoda reunirá importantes players para apresentar a coleção Outono-Inverno

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Depois de acumular quedas consecutivas, a indústria calçadista investe em insumos nacionais e aposta na abertura de mercados externos para voltar a crescer. A expectativa é que os resultados positivos apareçam, lentamente, a partir do segundo semestre.

A diversificação do setor de artigos de couro e calçados, com empresas de variados portes e segmentos, deverá contribuir para melhorar os negócios, avalia o presidente da Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados), Heitor Klein. “Há oportunidades para todos”.

Segundo ele, apesar do potencial do produto brasileiro, o mercado sentirá uma melhora apenas em meados do segundo semestre de 2017. “Não haverá uma reversão forte, mas teremos uma recuperação gradual”, aposta.

A consultoria IMEI projeta crescimento de 3,3% na produção de calçados em 2017 ante o ano passado, para 808,41 milhões de pares. Em 2016 as calçadistas atingiram 782,59 milhões de pares, queda de 3,5% sobre um ano antes, estima a consultoria.

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A retração ampliou a ociosidade da capacidade instalada do setor para entre 20% a 25%, calcula Klein. “Do ponto de vista do mercado interno, consideramos ideal o consumo de 3,8 a 4,2 pares para cada pessoa por ano, entretanto, no ano passado ficou perto de três pares por pessoa [na média]”.

A Abicalçados notou ainda uma queda nas importações de acabados e partes. “Além da questão cambial, que encareceu as importações, o quadro foi agravado pela queda na demanda doméstica”. Por outro lado, as exportações tiveram um incremento pequeno, de cerca de 1%, no último ano.

Klein observa uma perda de competitividade do sapato brasileiro, principalmente, por conta do câmbio desfavorável aos embarques de produtos acabados. A previsão dele é que durante a Couromoda, uma das maiores feiras do setor, de 15 e 18 de janeiro, em São Paulo, os estrangeiros retomem as grandes encomendas.

Brasilidade

De acordo com a consultora e designer de calçados e bolsas Meline Moumdjian, o mercado externo tem muito interesse na brasilidade embutida nos artigos fabricados no País. “Mas as exportações dependem da confiança, dos países compradores, na economia do Brasil. Não temos um câmbio linear aqui”, ressalta a especialista.

Ela afirma, porém, que a produção do País é bem recebida na América Latina e Estados Unidos, e outras regiões já estão despertando para a qualidade e o design. “O Japão, por exemplo, gosta muito de artigos exóticos”, completa ela.

A marca de bolsas Denise Gerassi tem só três anos de mercado e já conquistou importantes mercado no Brasil e no exterior. A designer Denise Gerassi, idealizadora do projeto, conta que principalmente os estrangeiros gostam de itens com pele de peixes e cabras. “Trata-se de um produto diferente. Não é artesanal. É material típico do Brasil”, diz.

A empresa conta com ribeirinhos e pescadores do Norte e Nordeste do País, além de curtumes que usam baixa quantidade de produtos químicos. “Isso é bem visto no mercado internacional”, conclui ela.

(Vanessa Stecanella​, do DCI)

Cesar Colleti

O que acontece e como acontece em Franca e região