Entre Patrocínio de Minas e Santa Luzia dos Barros, o caminho que se desvia da estrada e segue rumo à Represa de Nova Ponte mal expõe pequena gruta escondida ao lado, de onde escorre estreito fio d’água. O caboclo da região retém o passo, descobre a cabeça e faz o sinal da cruz. É diferente naquele sítio a energia que brota do chão, paira no ar e vivifica a brisa, convidando ao recolhimento e à meditação.
Em meio à vegetação seca e mirrada, quase colada à gruta, embora comum como as outras dos arredores, uma árvore chama o olhar sem que nada diga por quê. Se o viajante procura, vai encontrar ao pé da árvore uma pequena clareira e nela a insinuação de uma sepultura coberta de grama rala; e nas raízes que afloram à superfície, tocos de velas dizem de mãos piedosas que vieram anônimas orar naquele canto escondido.
Qual túmulo pagão sem mercê da proteção divina, nenhuma cruz aparente, nenhum sinal, nenhum símbolo religioso marca o lugar. Mas quem vai rezar, deposita seus votos, roga graças às dores e aflições conta que ali existe a mais santa das cruzes, somente vista pelos que têm olhos da fé.




