As mãos ainda se procuram e se estreitam; agora meigas, aconchegantes, sem a avidez adormecida nas águas do tempo; os olhos ainda se encontram e eu descubro os seus sob encobertos véus que desmaiam as lembranças que colhemos em tantas estações; os sons de ontem não são mais de que silêncio, solidão e tristeza.
Foi o de procura e encontro o dia em que derramamos nossos sonhos de amor. O mesmo dia de início marcou o da separação: fatalidade que vem do tempo que tudo modifica, impõe contrariedades, encurta e, enfim, apaga a vela da vida.
Abraçados, caminhamos anos e anos; tropeçando, mas as mãos apertadas em amparo comum. No desfiar do tempo, na comunhão das almas e no apertar de abraços, a sorrir e a chorar juntos, guardamos saudades que mais estreitaram os corações porque confundimos lágrimas e não percebemos quais eram minhas e quais eram suas.
Seu coração ainda está aqui! Mas os pensamentos e os sentimentos estão ofuscados: sofrem do declínio da saúde, do advento dos anos… E nos separam em doída e infeliz angústia.




