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Variante P.1 do coronavírus já ultrapassa 54,5% dos casos positivos em Franca

A variante P.1 do novo coronavírus já acomete 54,55% de cada cem pessoas infectadas na região de Franca, aponta estudo do Instituto Adolfo Lutz

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Digital generated image of macro view of the corona virus from the 2020.
A cada 100 pessoas infectadas pelo novo coronavírus na região de Franca, mais de 54% é com a variante P.1

 

A variante P.1 do novo coronavírus já acomete 54,55% de cada cem pessoas infectadas na região de Franca, aponta um estudo divulgado esta semana pelo Instituto Adolfo Lutz.

Ribeirão Preto lidera com 78,95%, a prevalência, em termos proporcionais, é a maior entre todas as 17 diretorias regionais de saúde do estado de São Paulo e pode estar associada à elevação dos casos, mortes e hospitalizações observada desde o início do ano, avaliam pesquisadores.

A mutação é uma das variantes de atenção, ou seja, com alto potencial de transmissibilidade e de causar mais riscos à saúde pública, que foram encontradas nas regiões, onde também circula a variante inglesa, a B.1.17.

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“Quando o vírus sofre mutações na superfície dele, existe uma possibilidade de fazer a vacina perder a eficácia, de conseguir driblar o sistema imunológico”, explica o pesquisador Vitor Engracia, professor da Unesp de Marília (SP) na área de fisiopatologia, que estuda o mecanismo das doenças em células, órgãos e tecidos.

Variantes do coronavírus

O estudo identificou, em todo o estado de São Paulo, a predominância de seis variantes do novo coronavírus entre 21 encontradas. São elas:

P.1: também conhecida como a variante brasileira, foi identificada pela primeira vez no Japão em pessoas que tinham viajado para Manaus.

É conhecida por seu maior potencial de transmissão e sua relação com sintomas mais graves da doença, incluindo em pessoas mais jovens e fora dos grupos de risco, pela capacidade de aumentar sua concentração no organismo;

B.1.1.28: é uma das linhagens da Covid-19 que circulam no Brasil desde fevereiro de 2020 e que, até outubro do ano passado, predominava no país. Deu origem à P.1 e à P.2.

B.1.1.33: é uma das linhagens da Covid-19 que circulam no Brasil desde fevereiro de 2020. Deu origem à N.9.

P.2: identificada inicialmente no Rio de Janeiro, tem potencial elevado de transmissão, mas até o momento não há pesquisa que mostre que ela é mais agressiva que a P.1.

N.9: variante recente derivada da B.1.1.33, ainda sem origem confirmada, com tendência de alta desde fevereiro. Estudos mostram que ela é mais transmissível do que linhagens originais da Covid-19;

B.1.17: conhecida como a variante inglesa, foi identificada inicialmente no Reino Unido. Com alto nível de transmissibilidade, está atrelada à elevação de casos na Inglaterra no início do programa imunização.

A identificação dessas variantes foi possível com a análise de 1.439 amostras fornecidas pelas equipes de Vigilância Epidemiológica dos municípios, um sequenciamento de alta complexidade, segundo o diretor do Centro de Respostas Rápidas do Instituto Adolfo Lutz, Adriano Abbud.

Ao sequenciar os vírus, os pesquisadores também apontaram uma evolução na prevalência da variante brasileira, que de 20% em janeiro saltou para 90% em abril, considerados os números de todas as regionais do estado, de acordo com informações do governo paulista.

Mutações por região

Na análise regionalizada, o Instituto Adolfo Lutz identificou a predominância da variante brasileira em todas as DRS, com destaque para Ribeirão Preto, que proporcionalmente é que a mais concentra essa mutação, com 78,95%, à frente de Campinas, Franca e Barretos, por exemplo, onde essa variante também prevalece em relação a outras variantes.

Em regionais como Marília, São José do Rio Preto e Presidente Prudente, por outro lado, a predominância é da variante P.2. Veja a prevalência da variante P.1 do novo coronavírus em todas as DRSs paulistas:

Ribeirão Preto: 78,95%
Campinas: 73,97%
Araraquara: 70,67%
Grande São Paulo: 66,80%
Registro: 65,22%
Barretos: 61,11%
Sorocaba: 60,44%
Piracicaba: 56,76%
Franca: 54,55%
Taubaté: 52,63%
Baixada Santista: 50%
Araçatuba: 47,17%
São João da Boa Vista: 41,18%
Bauru: 40,51%
Presidente Prudente: 30,77%
São José do Rio Preto: 23,53%
Marília: 5,41%

O instituto também identificou, entre as amostras, 152 casos autóctones da variante P.1, em todo o estado, de um total de 164 detectados para as variantes de atenção.

Para os cientistas, o mapeamento não altera os atendimentos, mas ajuda a entender como a Covid evolui em cada região do estado.

“O monitoramento de linhagens do estado de São Paulo é feito em parceria com o Centro de Vigilância Epidemiológica pra gente ter um panorama do estado mais próximo da realidade possível”, afirma Abbud.

Segundo o professor Vitor Engracia, acabar com novas variantes como a P.1 passa por reduzir a transmissão da doença por meio da vacinação e de medidas preventivas, já que o vírus, por definição, depende de um ser vivo para se manter ativo.

“É uma estratégia muito arriscada tentar erradicar o vírus sem nenhuma vacina, sem nenhuma intervenção de combate ao vírus”, afirma.

*Informações G1