Médicos dizem receber diariamente pedidos de laudos ou receitas indicando comorbidade em pacientes
O Brasil passou a observar, nas últimas semanas, uma nova estratégia para furar a fila da vacinação contra a covid-19.
No momento em que Estados e municípios brasileiros começaram a imunizar as pessoas com comorbidades, muitos médicos relatam uma corrida por atestados que provem a existência de uma das enfermidades.
Não se trata de algo totalmente novo.
No Brasil, é comum que pessoas peçam receitas para conseguir remédios de tarja preta ou atestados para abonar falta no trabalho mesmo sem passar por consultas médicas que comprovem essas necessidades.
A campanha de imunização contra a covid-19 não é igual a outras em que toda uma família pode se vacinar num mesmo dia.
Estado e municípios podem exigir diferentes tipos de documento que comprovem a existência de comorbidades.
Uma notícia publicada no portal do jornal El País diz que essa falta de homogeneização e de critérios claros pode inclusive atrapalhar a interpretação dos profissionais da saúde na linha de frente da vacinação, já que nem todos são médicos ou enfermeiros.
Isso abre uma brecha maior para quem busca subverter as regras, assim como pode criar obstáculos para quem realmente tem uma doença pré-existente e precisa apresentar comprovantes.
“Pacientes resolveram aparecer depois de três anos sem ir ao consultório”.
Além dos pedidos por atestados e receitas falsas, a vacinação de pessoas com comorbidades gerou outro efeito: aqueles que negligenciam a saúde resolveram, agora, buscar cuidados médicos.
Uma médica relatou que tem recebido uma enxurrada de pedidos de pacientes que não aparecem no consultório há três anos para que ela refaça uma receita.
Nesse grupo estão pessoas que, de fato, se encaixam no grupo prioritário para receber a imunização. Outros não.



