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Franca triplica número de óbitos por Covid-19 registrados em 2020 em 5 meses

Franca triplicou, em apenas cinco meses, o total de mortes por Covid-19 registradas em todo o ano de 2020

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Prefeito de Franca decretou lockdow do último dia 27 até dia 10 de junho

 

Com os nove óbitos confirmados no último boletim epidemiológico, Franca triplicou, em apenas cinco meses, o total de mortes por Covid-19 registradas em todo o ano de 2020.

Atualmente, a cidade contabiliza 665 vidas perdidas, contra 221 no acumulado do ano passado.

Com quase 70% dos pacientes com resultado positivo para a doença infectados pela variante P.1, identificada primeiro em Manaus, a cidade enfrenta o que foi categorizado pelo médico da Vigilância Sanitária, Homero Rosa, como o “pior momento da pandemia”.

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“Isso [predomínio da P.1] se torna uma característica da epidemia com muito mais agressividade, infectividade, morbidade e mortalidade, ou seja, maior número de pessoas doentes ao mesmo tempo; aumenta a circulação do vírus e esse vírus se torna cada vez mais infectante”, explica.

Rosa também destaca dois fatores que, segundo ele, colaboraram para o agravamento da pandemia: o clima favorável ao desenvolvimento de condições respiratórias e a dificuldade para que a população entenda e aceite as medidas restritivas de enfrentamento à Covid-19 adotadas pelo município.

“De uma certa forma, Franca foi vítima de seu próprio sucesso no controle, porque isso faz com que as pessoas se sintam seguras no enfrentamento do vírus e muitas deixaram de ter suas proteções pessoais, como uso de máscaras, de distanciamento social, de aglomerações. Isso contribuiu também de maneira decisiva para esse grande aumento”, analisa.

Perfil dos pacientes e novas medidas

Para o médico da Vigilância Epidemiológica, outro fator preocupante é a mudança no perfil dos pacientes.

Com a diminuição de casos graves e também de óbitos de pessoas mais velhas por conta da vacinação, os mais jovens têm representado uma parcela maior das vítimas da pandemia.

“Isso é uma grande preocupação porque uma pequena parcela deles já foi imunizada através das vacinas, os que tinham algum tipo de comorbidade importante. Esse perfil tende a avançar cada vez mais para a área pediátrica”, prevê Rosa.

O agravamento dos casos entre jovens e, por consequência, uma maior permanência desses pacientes nas Unidades de Terapia Intensiva (UTIs), dificultando a rotatividade de leitos, foi um dos fatores considerados para que fosse decretado “lockdown” na cidade até 10 de junho.

“O lockdown não vai ter benefício imediato visível, porque a gente tem que considerar o período de transmissão viral, que vai de dois a 15 dias. Nós esperamos que com essas medidas restritivas de circulação, o vírus não circule tanto na cidade e a gente possa retomar de novo o controle”, diz.

Situação crítica

Domingos Alves, pesquisador responsável pelo Laboratório de Inteligência em Saúde (LIS) da Faculdade de Medicina da USP de Ribeirão Preto (SP), aponta que regiões amplas, assim como a de Franca, são as primeiras a apresentar piora dos indicadores quando há um agravamento geral.

“Essa criticalidade já vem acontecendo há mais de um mês. Na verdade, quase dois meses. Você tem que levar em consideração que os óbitos são a consequência final: primeiro a pessoa se infectou, depois ficou doente, foi internada, passou por um estado grave e veio a óbito”, aponta Alves.

O pesquisador ressalta ainda que, por conta das constantes flexibilizações da quarentena e reabertura do comércio, principalmente no período do Dia das Mães, não foi possível realizar um controle eficaz dos parâmetros epidemiológicos na cidade.

“Hoje, principalmente aqui no estado de São Paulo, temos os indicadores de interesse epidemiológico e os indicadores de interesse administrativo. O conceito de estabilidade que vem sendo pregado, inclusive pelo secretário estadual de Saúde, não existe, nunca existiu em nenhum controle de pandemia. O que você tem que observar são quedas sustentadas, segundo a OMS”, pontua.

*Informações G1