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Guerra de opiniões: o brasileiro como massa de manobra, como se fosse encabrestado.

A anúncio da disputa da Copa América no Brasil ampliou a guerra de opiniões e mostrou o digladiar de correntes: ninguém tem razão

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De simples divergência política a situação se transformou em uma guerra de narrativa: haverá vencedores ou só vencidos?

Uma notícia diz que Bolsonaro se irrita e não aceita recusa dos jogadores na Copa América.

Outra notícia diz que Renan Calheiros envia uma carta aos jogadores da Seleção Brasileira pedindo para que não disputem a Copa América.

Em que Brasil estamos? Qual a razão de tanto disparate?

Não se trata de saber quem está certo e quem está errado.

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Numa figura de linguagem, o Brasil pode ser uma canoa num lago que começa turbilhoar e cada ala está remando para um lado.

O brasileiro está sendo utilizado como massa de manobra, como se não tivesse opinião, como se fosse encabrestado. A opinião do cidadão comum até pode ser ouvida, mas não é considerada.

Um lado argumenta que o Brasil está passando por um período de turbulência pandêmica e que não será bom receber as 10 seleções da América do Sul para a disputa da Copa América.

Outro lado argumenta que estão sendo disputados jogos da Copa do Brasil e do Campeonato Brasileiro, sem falar de todos os estaduais que já foram disputados. O tipo de disputa será o mesmo: sem público, só televisão.

De um lado, o presidente se irrita com a possibilidade de a equipe principal e o técnico Tite se negarem a disputar a competição continental, cuja realização no Brasil vem sendo criticada.

Apoiadores de Bolsonaro veem complô político para desgastar ainda mais o governo.

De outro lado, o relator da CPI da covid-19 propõe uma reflexão aos atletas e apresenta argumentos contrários à realização do evento no País neste momento.

Em seu perfil no Twitter, o parlamentar diz que “a seleção é motivo de orgulho. Disputar a Copa pode até gerar troféu. Não disputar, em nome de vidas, significará sua maior conquista”.

Qualquer decisão vai agradar um lado e desagradar outro. Todos os lados têm razão em seus argumentos, mas a isenção parece não estar mais fazendo parte do dia a dia dos brasileiros.

Estes, os brasileiros, assistem o caminhar dos que são a favor dos lockdows numa calçada, e o caminhar dos que são contra na outra calçada.

O jeito é dobrar a esquina para ver qual das correntes caminha melhor, embora nem isso vá trazer solução para a grande divisão de opiniões que existe hoje no Brasil.