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Com avanço da variante Delta, especialistas defendem revisão de flexibilizações

Apesar deste avanço, diversos estados anunciam novas fases de flexibilizações das medidas restritivas

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Flexibilização permitiu a abertura de comércios, bares e restaurantes

 

O Brasil registra mais de 700 casos da variante Delta da Covid-19. A cepa é identificada em 14 estados e no Distrito Federal.

Apesar deste avanço, diversos estados anunciam novas fases de flexibilizações das medidas restritivas.

Para o virologista e professor da Universidade Feevale, no Rio Grande do Sul, Fernando Spilki, falta uma articulação das autoridades brasileiras em virtude do avanço da variante no país.

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“O problema é que no Brasil, nós não temos mais plano B. O que nós temos hoje, na maioria dos estados, é vacina à disposição na velocidade que temos”.

“Conversando com os gestores públicos, a gente não vê mais nenhuma vontade ou uma consciência da possibilidade de a gente precisar adotar outras medidas em algum momento”, diz.

A epidemiologista e professora doutora da Universidade Federal do Espírito Santo, Ethel Maciel, considera que os atos dos gestores públicos impactam no comportamento da população.

“O comportamento individual é muito influenciado pela comunicação das nossas autoridades. Então, há uma relação direta, e a gente precisa de mais responsabilidade nessa comunicação dos governos, tanto federal, quanto estadual, em dizer que estamos em uma pandemia e não podemos baixar a guarda.”

Fernando Spilki destaca o Rio de Janeiro e o Distrito Federal como sendo as localidades mais afetadas pela variante Delta até agora.

Segundo o virologista, a cepa já representa metade dos casos nestes locais. Enquanto isso, no Rio Grande do Sul e em São Paulo, a variante Delta corresponde de 10% a 15% do total de casos de Covid-19.

“Se em uma região, a Delta começa a se tornar a variante majoritária e a gente começa a enxergar elevação de casos, será um aviso, um alerta para as autoridades para a gente avançar em determinadas medidas”, defende.

Ethel ressalta que a noção de que a primeira dose de vacina já seria um alento foi modificada pela entrada da variante Delta no país, visto que além de reduzir o percentual de eficácia, somente com o esquema vacinal completo o indivíduo está protegido.

“A gente tem aí um número expressivo de pessoas que não voltaram para a segunda dose e estão mais suscetíveis a desenvolver uma doença mais grave se a infecção for pela Delta ou outras variantes”.

“O vírus está evoluindo e nós continuamos parados lá naquela ideia de que vamos tirar a máscara, de que daqui a pouco a gente pode fazer tudo. Inclusive vindo das nossas autoridades.”

Ambos concordam que é necessário aprender com outros países, onde a vacinação está muito à frente do Brasil e, mesmo assim, por conta dos não-vacinados, a variante causa preocupação.

“A gente precisa aprender, porque Israel já está com 80% da população vacinada e mesmo assim enfrenta este aumento expressivo de casos e internação”.

“No Brasil, estamos aí com um pouquinho mais de 20% com as duas doses. Dependendo do estado, um pouquinho mais, um pouquinho menos”, explica Ethel Maciel.

A especialista diz que, em Israel, a grande parte das pessoas que estão internando neste momento são não-vacinadas.

*Informações CNN