A audiência pública para debater com a população mudanças na legislação que rege o parcelamento de solo em Franca foi um desastre maior que os mais pessimistas aliados do prefeito Gilson de Souza (DEM) poderiam supor e poderá desencadear consequências graves para o governo municipal.
Logo no início da reunião, o secretário de Planejamento Urbano, Virgílio Reis, mostrou que algo o incomodava. Ele afirmou que iria “tentar explicar o projeto” aos presentes, entre eles, os vereadores Adermis Marini (PSDB), Kaká (PSDB), Cristina Vitorino (PRB), Della Motta (PTN) e Ilton Ferreira (DEM), líder do governo na Câmara dos Vereadores.
De pronto, foi questionado por Adermis. “Como assim, o senhor vai tentar? Aí ele próprio afirmou que não tinha convicção e que sua orientação é de que os vereadores votem contra o projeto”, disse o tucano.
Adermis então falou que ia se retirar, quando foi interpelado por duas pessoas que passaram a defender o projeto. “Eles não haviam se identificado e passaram a defender que o projeto deveria ser aprovado. Passaram a explicar o projeto. Perguntamos quem eram eles e disseram ser da Construtura Pacaembu. Ou seja, o governo teria de explicar o projeto e quem fez isso foi uma construtura interessada na aprovação”, disparou o vereador.
Logo em seguida, o clima ficou tenso e tumultuado e a audiência pública foi encerrada pouco depois sem conseguir avançar em nada, a não ser no fortalecimento da oposição, que deverá bater forte no prefeito na sessão da próxima terça-feira.
Para Adermis, falta harmonia dentro do próprio governo sobre os benefícios à população desse projeto. “Isso veio à Câmara Municipal para beneficiar construtores, empresas e não a população. Não é governo, é uma escola de samba em desarmonia”, disse Adermis.
O vereador afirmou também que os vereadores têm de votar com responsabilidade. “A partir do momento que o secretário da pasta orienta a gente a votar contra o projeto. O que vimos é um grande desastre e vamos ter, os vereadores, de analisar como evitar que a cidade entre em um colapso administrativo”.
A vereadora Cristina Vitorino e Kaká disseram que foi uma situação “extremamente lamentável” e que chegaram a ficar constrangidos com o que presenciaram. “Foi mais um desastre do desgoverno de Gilson de Souza”, finalizou Adermis Marini.
O assunto já ganhou as redes sociais e um vídeo com os vereadores, indignados, circula em grupos e perfis de centenas de pessoas.
A repercussão poderá ser desastrosa para o governo Gilson de Souza.



