Médico destaca que, após aprovação da Anvisa, vacina em doses menores deve ser considerada segura para crianças
A farmacêutica Pfizer pediu autorização à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para que a vacina contra a Covid-19 possa ser aplicada em crianças de 5 a 11 anos de idade.
Em entrevista ao vivo para a Rádio Jovem Pan, o infectologista, pediatra e diretor da Sociedade Brasileira de Imunizações, Renato Kfouri, comentou o tema.
Ele destacou que, após aprovação da Anvisa, o imunizante deve ser considerado seguro para crianças, principalmente porque poderá ser administrado em doses menores.
O médico disse que a faixa etária precisa ser protegida com a vacina da Covid-19, já que a doença é mais nociva à vida das crianças do que todas as outras infecções pediátricas juntas.
Confronto de números
“Todas as doenças do calendário [vacinal da infância] juntas matam menos do que a Covid-19 na pediatria“, afirmou Kfouri.
Segundo ele, quando se fala de vacinação da população pediátrica, sempre se bate na tecla de que adultos são prioridades, crianças são menos afetadas, que possuem menor chance de desenvolver a forma grave.
“Mas, muito diferente do que muitos imaginam, não é um risco desprezível, não é negligenciável. Abaixo de 20 anos de idade, estão 0,4% do total de mortes”, afirmou o pediatra.
Segundo o médico, é preciso tomar cuidado para não haver distração em relação a isso, porque 0,4% de 600 mil mortes foram mais de 2.400 crianças e adolescentes que perderam a vida para a Covid-19.
Doenças infantis
“É mais do que as mortes somadas de sarampo, coqueluche, difteria, paralisia, meningites, gripe, febre amarela. Todas as doenças do calendário juntas matam menos do que a Covid-19 na pediatria”, afirma.
Para cada morte dessas crianças foram registradas seis vezes mais internações, ou seja, 15 mil crianças internadas desde o começo da pandemia.
“E as vacinas tem que demonstrar segurança, a mesma segurança que nós exigimos para o licenciamento em adultos. E os dados tão aparecendo. A gente tá vendo, em 5 a 11 anos extremamente segura, extremamente eficaz, um terço da dose, ou seja, a gente pode usar concentração menor, aumentando ainda mais o perfil de segurança”, afirmou.
O pediatra acredita que a Anvisa aprove a vacinação para o público de 5 a 11 anos, o que é um enorme ganho para as crianças.
Efeitos colaterais
O médico ainda apontou que as vacinas são eficazes e que possuem baixa taxa de efeitos colaterais.
São Paulo, por exemplo, já vacinou 97% dos seus adolescentes de 12 a 17 anos, com enorme perfil de segurança.
Efeitos colaterais são raríssimos, como dor, febre. Para crianças de 2 a 5 anos, ainda não se tem essa experiência de milhões de doses aplicadas.
As experiências são as dos estudos clínicos, as mesmas obtidas para as outras faixas etárias. E elas foram muito bem.
Casos raros
“E é muito importante que esse segmento, que nós chamamos de pós-vacinação, pós-licenciamento, continuar monitorando o risco desses efeito colaterais”, diz ele.
“Ás vezes uma inflamação no coração, às vezes uma trombose, reação alérgica, são tão raros que o número de casos prevenidos e, na pediatria não é diferente, supere e muito”, diz Renato Kfouri.
Não é atoa que Estados Unidos e maior parte dos países da Europa já estão vacinando adolescentes. Em breve, a Europa deve aprovar também a vacinação de 2 a 5 anos e idade, como os Estados Unidos já começaram a fazer.



