
A economia francana deve receber até o final de dezembro – dia 20 mais especificamente -, a injeção de R$ 130 milhões referentes ao pagamento das duas parcelas do 13º salário. A estimativa é da ACIF – Associação do Comércio e Indústria de Franca. Esse valor supera o verificado em 2014, quando o município recebeu R$ 100 milhões.
E embora a cifra chame a atenção, os comerciantes não devem se animar. É que, segundo pesquisa realizada pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo – Fiesp e Centro das Indústrias do Estado de São Paulo – Ciesp com pessoas que recebem o benefício do 13º salário, 46% responderam que o destino para o dinheiro extra este ano é o pagamento de dívidas.
Outros 18% pretendem fazer compras de Natal, e 14% afirmam que o valor vai para poupança ou investimentos.

A pesquisa, a cargo da Ipsos Brasil, foi feita em todo o território nacional. Ouviu 1.200 pessoas, entre os dias 15 e 29 de outubro de 2015, com respostas que apontam um mercado consumidor desaquecido e situação financeira pior.
Desta vez, 48% dos entrevistados responderam não haver possibilidade nenhuma de contrair dívidas, o maior número registrado desde 2009. Em 2014 a mesma afirmação foi feita por 29% dos entrevistados.
A ACIF confirma o cenário em Franca – segundo a entidade, a crise econômica e política faz a inadimplência aumentar a cada dia e muitos trabalhadores devem usar esse salário extra para quitar dívidas. Mas a ACIF aposta numa onda mais otimista com a chegada do Papai Noel e o clima natalino, que acredita estarem tomando conta das pessoas, influenciando a troca de presentes. Apesar disso, os números concretos que refletem a intenção de compra dos consumidores francanos devem ser divulgados em breve, após pesquisa realizada em parceria com o IPES – Instituto de Pesquisas Econômicas e Sociais.
EMPRESAS X 13º SALÁRIO
Enquanto os trabalhadores anseiam o recebimento do 13º salário, muitas empresas – uma em cada 10 micro e pequenas – não terão recursos para pagar o 13º salário de seus funcionários. E das que têm empregados registrados, 12% recorrerão a um empréstimo bancário para pagar total ou parcialmente o benefício. É o que aponta o relatório 13º salário em 2015, divulgado pelo Sebrae a partir de entrevistas realizadas em outubro.
Entre as empresas de pequeno porte, 95% pagarão o benefício em dia. No entanto, os donos de pequenos negócios que pretendem contrair empréstimo bancário para saldar o 13º correm outro risco: cair nos 16% de empreendedores que têm seus pedidos de crédito negados pelas instituições financeiras.
A queda do faturamento dos pequenos negócios pode ser uma influência direta na dificuldade de quitação do 13º dos funcionários. Embora esteja em ascensão em relação ao primeiro semestre, o faturamento dos pequenos negócios caiu 11% em relação ao mesmo mês, em 2014.
A expectativa, até considerando a média do ano passado, é que o fim de ano traga melhora no faturamento dos pequenos negócios, especialmente o comércio, setor mais afetado pela queda de faturamento neste ano: 50,3% dos estabelecimentos faturaram menos em setembro do que em agosto.
EXPECTATIVA DE VENDAS
E apesar do cenário econômico instável, uma pesquisa da ACIF revelou que 43% das empresas de comércio e serviços estão com expectativa positiva em relação às vendas de Natal, com possibilidade de ultrapassar 20% de aumento. No entanto, 33% acreditam que não vão superar 2014 e 22% que as vendas serão menores que no ano passado. “O pessimismo reflete o momento, mas não está tão ruim como parece. Sempre há uma saída e os números podem mudar”, afirmou o presidente da entidade, Dorival Mourão Filho.
Para a CDL (Câmara dos Dirigentes Lojistas), a expectativa de aumento gira em torno de 5%. “Se não ultrapassarmos 2014, pelo menos vamos igualar as vendas. Esse 5% já representa uma melhora em relação a 2014, quando tivemos um crescimento de 4,5%”, observa o presidente da CDL, Maurício Ramos.
Sobre o presente de Natal, 23% dos entrevistados pela Ipsos Brasil pretendem gastar menos do que no ano passado. Em 2014 a mesma resposta foi dada por 11%. A média de valores para os presentes no Natal 2015 deve girar entre R$ 50 e R 100.

De acordo com o gerente do Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos (Depecon) da Fiesp e do Ciesp, Guilherme Moreira, “isso tudo foi previsto quando registramos a forte queda do emprego no trimestre”.
Ele explica que “a menor propensão a gastar das famílias afeta a economia como um todo – não apenas o comércio, mas também a indústria, que acaba recebendo uma menor quantidade de encomendas”.



