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Covid: 5 fatores que podem ameaçar o fim da emergência de saúde pública no Brasil

Ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, declarou que a covid não será mais considerada uma emergência de saúde pública no Brasil

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A decisão, que vai revogar uma série de regulamentações e leis que marcaram os últimos dois anos, gerou controvérsia entre especialistas.

“Me preocupa o fim da emergência nacional num momento em que a Organização Mundial da Saúde (OMS) ainda entende que estamos diante de uma pandemia, ou uma emergência de saúde pública internacional”, critica a epidemiologista Ethel Maciel, professora da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes).

“E ainda não está claro o que isso vai significar na prática e qual será o plano se as coisas voltarem a piorar”, chama a atenção Leonardo Bastos, pesquisador da Fundação Oswaldo Cruz (FioCruz).

O anúncio do Ministério da Saúde acontece num momento em que as médias móveis de casos e mortes por covid-19 estão em queda no país — e o relaxamento das políticas preventivas, como o uso de máscaras e a prevenção de aglomerações, já estava em prática há semanas em diversas cidades e Estados.

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Especialistas ouvidos pela BBC News Brasil listam os cinco fatores que podem ameaçar o fim da emergência de saúde pública anunciada pelo governo — e o que deveria ser feito para combatê-los.

01. Temporada de frio

Todos os anos, a chegada do outono e do inverno costuma vir acompanhada de um aumento nos casos de infecções respiratórias, como gripe e resfriado.

E isso está mais relacionado ao comportamento das pessoas do que aos vírus em si: no frio, costumamos ficar mais tempo em lugares fechados, com pouca circulação de ar, e próximos uns dos outros.

Em relação à covid-19, ainda não foi possível estabelecer quando ocorrerão os aumentos e as diminuições na taxa de infecção — como estamos no meio de uma pandemia de um vírus absolutamente novo, para o qual não tínhamos imunidade alguma, essas curvas sobem e descem em qualquer estação do ano.

02. Surtos em outros lugares

Como fenômeno global, a pandemia tem repercussões em todos os continentes — e o que acontece do outro lado do mundo pode respingar aqui de alguma maneira.

Isso foi observado diversas vezes ao longo dos últimos dois anos. É só lembrar que os primeiros casos de covid foram observados na China e logo apareceram na Europa. Na sequência, o coronavírus foi detectado na América do Norte e, depois, no Brasil.

A própria variante ômicron, detectada originalmente na África do Sul em novembro do ano passado, se espalhou com uma velocidade sem precedentes e provocou recordes de infecções nos meses seguintes em várias partes do mundo.

03. Desestruturação do sistema

Ethel Maciel também teme que o fim da emergência de saúde pública nacional desmonte serviços de vigilância e de atendimento aos pacientes que foram criados nesses últimos dois anos.

“O decreto de Espin permite uma série de compras, licitações e normas para responder à crise sanitária que envolve a remessa de vacinas, a ampliação de leitos hospitalares, a distribuição de insumos…”, lista.

A professora da Ufes ressalta que é hora de manter os serviços de saúde e até reforçar o sistema de vigilância de casos e hospitalizações por covid.

04. Aparecimento de novas variantes

Um dos grandes temores dos especialistas é o surgimento de uma nova versão do coronavírus ainda mais transmissível, agressiva ou com capacidade de “driblar” a imunidade obtida com a vacinação ou com as infecções prévias.

“Esse é um risco que está posto e com o qual já lidamos algumas vezes nesta pandemia”, aponta o virologista Fernando Spilki, professor da Universidade Feevale, no Rio Grande do Sul.

As variantes de preocupação registradas até o momento apareceram em locais onde havia uma alta taxa de transmissão do patógeno. Foi o caso da variante alfa, no Reino Unido, da gama, no Brasil, da delta, na Índia e da ômicron, na África do Sul.

05. Queda da proteção

Para completar, ainda não está 100% claro quanto tempo dura a imunidade após a vacinação ou a infecção pelo coronavírus.

Essa proteção, inclusive, deve variar de acordo com uma série de características. Indivíduos mais jovens, por exemplo, podem estar bem resguardados da infecção (ou de suas repercussões mais graves) após tomarem três doses do imunizante.

Já pessoas mais velhas, ou aquelas que passaram por um transplante ou fazem tratamento contra o câncer, costumam ter um sistema imunológico mais debilitado, que não responde tão bem às ameaças infecciosas.

(Com informações da BBC News Brasil)