Muitos trabalhadores, em Franca, fazem as contas de quanto tempo ainda terão de trabalhar para se aposentar se mudarem as regras da Previdência no país. Cláudio Silva, de 41 anos e sapateiro há 25, está preocupado. Ele se aposentadoria por tempo de serviço em no máximo dez anos. Se mudar, ele terá de trabalhar pelo menos mais duas décadas contribuindo com o INSS.
“É complicado, porque mesmo nos períodos que trabalhei sem registro eu contribuí. Agora vejo que terei de me arrastar em uma esteira que quiser me aposentar, é revoltante”, afirmou o trabalhador, que mora na zona sul de Franca.
Se aprovada em seu texto original, a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) 287, a Reforma da Previdência, fará com que nenhum contribuinte, que em 2015 tinha menos idade que 45 a 50 anos, consiga se aposentar até 2030.
A afirmação é parte do estudo Estimativa de Aposentadorias em 2030, da série Ensaio & Conjuntura, da Fundação Seade, que avaliou a realidade demográfica do Estado de São Paulo e as perspectivas futuras caso as regras sejam alteradas como propõe o governo federal.
No Estado de São Paulo, ainda segundo projeções da Seade, o número esperado de aposentados pelo Regime Geral de Previdência Social, em 2030, poderá ser 41,89% menor em relação à situação sem a reforma: uma diminuição de 7,5 milhões para pouco mais de 4,3 milhões.
Para chegar às estimativas, a Seade realizou uma série de projeções e cálculos que levaram em conta a tendência de envelhecimento populacional, as regras atuais aplicadas para a aposentadoria e as mudanças propostas. Os pesquisadores da fundação também consideraram os números atuais de pedidos de aposentadoria por invalidez — uma situação que foge do modelo convencional — para que o impacto destes casos pudesse ser contabilizado nos resultados do estudo.
De acordo com a Seade, as projeções demográficas do Estado de São Paulo, até 2030, mostram que a estrutura etária da população paulista é favorável ao sistema previdenciário — na medida em que o segmento em idade potencialmente ativa, que corresponde ao conjunto de indivíduos que podem estar ocupados e contribuindo para a previdência, continua crescente.



