A congada de São Sebastião do Paraíso (cidade mineira a 76 km de Franca) é uma festa afrodescendente popular que, a partir de influências portuguesas cristãs, resgata em seus rituais e cultos as memórias, os valores e os padrões culturais africanos. Isso é feito “por meio da homenagem a uma corte negra, uma África ancestral contraposta às emoções de dor e sofrimento atribuídas à escravidão”.
Assim descreve Lilian Sagio Cezar em artigo na Revista de Antropologia da USP. A autora analisa, na congada, as memórias e “a criação de práticas religiosas, que ao longo de largo período de tempo, se mantiveram relativamente secretas enquanto forma de conhecimento que identificam e hierarquizam atores sociais nesta festa”.
As pesquisas, as observações dos rituais da congada de São Sebastião do Paraíso e as histórias de Fernando Aparecido Gonçalves, “capitão de terno e dançador, uma das lideranças mais respeitadas dentro da festa”, são o ponto de partida para o entendimento da autora sobre como “o negro mudou as inflexões figuradas nas mensagens católicas proferidas durante a festa a partir de suas próprias lógicas cosmológicas. Assim, tais festas constituem hoje lócus sociais em que memórias, valores e padrões culturais puderam ser preservados e recriados”, explica ela.
O negro mudou as inflexões figuradas nas mensagens católicas proferidas durante a festa a partir de suas próprias lógicas cosmológicas.” – Lilian Sagio Cezar




