Na sessão desta terça-feira da Câmara Municipal de Franca, mais um veto do prefeito Gilson de Souza (DEM) foi derrubado pelos vereadores. A situação mostra o quão é frágil a relação entre o Poder Executivo e o Legislativo e demonstra a falta de articulação do governo, uma vez que a maior parte da bancada de apoio a Gilson votou pela derrubada do veto.
Foi uma exposição desnecessária do prefeito. A matéria foi vetada por recomendação do Jurídico da Prefeitura, a exemplo de tantas outras das últimas semanas. Apesar de parcial, o veto descaracterizaria o teor do projeto, que previa ações voltadas à detecção e tratamento de crianças hiperativas na rede municipal de ensino.
Os vereadores optaram por não “queimar o filme” com a população e, sem pestanejar, votaram pela queda do veto. Somente Arroizinho, Pastor Otávio Pinheiro (PTB) e Nirley de Souza (PP) abraçaram a causa de Gilson de Souza e seu Jurídico.
Até o líder do prefeito na Câmara,Ilton Ferreira, que ainda é colega de partido de Gilson de Souza no DEM, foi favorável à derrubada do veto. O autor do projeto, Adermis Marini (PSDB), nem precisou articular muito para isso.
A situação se desenha a princípio como normal, mas um olhar mais analítico prevê luz amarela para um governo que, na próxima semana, terá um pedido de abertura de Comissão Processante contra o prefeito. Quanto maior o distanciamento, mais fácil de se obter os oito votos necessários para que o procedimento – que pode levar à cassação do mandato – seja instaurado.



