O deputado Fábio Ramalho (PMDB), coordenador da bancada mineira na Câmara dos Deputados, anunciou que um acordo entre a Cemig e a Advocacia-Geral da União (AGU) foi homologado hoje junto ao Supremo Tribunal Federal (STF) para que a empresa fique com uma das quatro usinas que serão leiloadas na quarta-feira.
Segundo Ramalho, a Cemig não tem condições de cumprir o acordo com o governo federal para comprar todas as usinas.
Dessa forma, vai investir R$1,1 bilhão para comprar a Usina de Miranda. A empresa ainda tenta até esta terça-feira conseguir uma carta fiança de R$1,9 bilhão com o Citibank para comprar também a Usina de Jaguara.
“A Cemig não fez o dever de casa nos últimos anos e não guardou recursos para garantir essas usinas. Agora trabalha para salvar o que for possível”, explicou Ramalho.
Enfrentando dificuldades financeiras e sem recursos para pagar os valores pretendidos pelas usinas de São Simão e Volta Grande e sem garantia de verbas para a de Jaguara, a empresa deve perder 30% de sua capacidade de geração.
De qualquer forma, segundo Ramalho, já estaria acertado um consórcio entre a Cemig e a Vale para disputar essas usinas no leilão marcado para quarta-feira.
Polêmica
O acordo já gerou polêmica entre parlamentares mineiros. A deputada federal Jô Morais (PCdoB) e deputados estaduais da frente em defesa da Cemig criticaram o acordo sob o argumento que os termos vão beneficiar “apenas o governo federal”.
O grupo teve um encontro na Assembleia Legislativa para discutir mecanismos para tentar suspender o leilão das usinas.
“Consideramos que os entendimentos que estão sendo buscados por parte da Cemig são no rumo de manter as usinas com o adiamento do leilão, para que a Cemig tenha condições de arrecadar recursos e comprar as usinas”, afirmou Jô Morais.
Nesta terça-feira, a Câmara dos Deputados discute projeto de decreto legislativo que suspende o leilão. Integrantes da bancada mineira vão pedir ao presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), que coloque o texto na pauta de plenário amanhã.
O Sindicato dos Trabalhadores da Indústria Energética de Minas Gerais (Sindieletro) prevê um ato na quarta-feira em Belo Horizonte e em São Paulo, onde será realizado o leilão, contra a venda das usinas.



