Com o fracasso da mobilização política que tentou manter sob controle da Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig) as quatro usinas hidrelétricas arrematadas ontem por investidores estrangeiros, resta à concessionária mineira tentar outra investida ainda mais difícil para reverter o prejuízo, por meio de uma frente de juristas.
Deputados da Frente Mineira em Defesa da Cemig, sindicalistas e integrantes de movimentos sociais anunciaram, ontem mesmo, a intenção de buscar alguma brecha legal que permita o questionamento da venda e posterior cancelamento da licitação feita pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) na Bolsa de Valores de São Paulo, a B3.
Uma audiência pública para discutir o assunto será marcada para os próximos dias na Assembleia Legislativa. As concessões de quatro usinas que a Cemig perdeu vão render R$ 12,13 bilhões ao governo federal, que não escondeu a decisão de usar o dinheiro para conter o rombo recorde das contas públicas estimado em R$ 159 bilhões neste ano.
O maior negócio no certame de ontem foi a venda por R$ 7,18 bilhões da usina de São Simão para a empresa Pacific Hydro, do grupo chinês SPIC. Sem concorrência, houve ágio de 6,51% sobre o valor pedido de R$ 6,74 bilhões.




