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Chuvas chegam ao cinturão produtivo do café, mas não vão reverter perdas

No decorrer da próxima semana, chuvas mais volumosas devem chegar ao cinturão produtivo

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Começou a chover no cinturão produtivo de café do Brasil com o avanço de uma frente fria vinda do Sul país. As precipitações ainda estão bastante irregulares, mas mapas do Inmet (Instituto Nacional de Meteorologia) apontam que no decorrer da próxima semana os volumes acumulados podem chegar a até 50 milímetros no Sul de Minas Gerais, maior região produtora brasileira do grão.

Essa melhor condição para as lavouras do país, no entanto, não deve reverter as perdas já registradas, mas paralisa os prejuízos, segundo o engenheiro agrônomo da Fundação Procafé, Marcelo Jordão Filho. As plantações de café do Brasil em meio às altas temperaturas e baixo volume de chuvas têm apresentado intensa desfolha – proteção natural das plantas pensando em diminuir a evapotranspiração.

Jordão Filho ressalta que as chuvas que caíram recentemente foram bastante irregulares, mas que essa condição ameniza futuras perdas. “As chuvas foram muito irregulares. Na Fazenda Experimental de Franca (SP), por exemplo, choveu apenas 0,6 milímetros”, afirma. Precipitações também foram registradas em Minas Gerais, mas o cenário foi parecido. “Aqui só tivemos um chuvisqueiro, muito pouco para a lavoura. Não adiantou nada”, diz o cafeicultor Roberto da Serra de Nova Resende (MG).

No decorrer da próxima semana, chuvas mais volumosas devem chegar ao cinturão produtivo de café do Brasil, conforme mostra o modelo Cosmo do Inmet. Os acumulados devem chegar aos 50 milímetros. O Sul de Minas será a principal região favorecida. Outros institutos também preveem essa condição de instabilidade para as regiões produtoras.

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Veja o satélite com precipitação acumulada para até 174 horas (29 de setembro a 05 de outubro):

Precipitação acumulada para até 174 horas (29 de setembro a 05 de outubro) - Fonte: Inmet
Fonte: Inmet

Por enquanto, ainda não é possível quantificar os prejuízos nas lavouras, mas já há relatos de algumas regiões produtoras de café sem chuvas há 40 dias. “O histórico de chuvas teve uma variabilidade grande. Até dentro de uma mesma propriedade a intensidade do prejuízo varia. De maneira geral, não revertemos prejuízos, apenas o paralisamos com o retorno das chuvas e posteriormente a abertura floral fica mais fácil”, afirma o engenheiro agrônomo da Procafé.

Diante da previsão de chuvas para o Brasil nos próximos dias, a Bolsa de Nova York (ICE Futures US), principal referência para os negócios com o grão no mundo, já se movimenta. A queda nesta quarta-feira (27) foi de cerca de 300 pontos e o vencimento dezembro/17 ficou abaixo de US$ 1,30 por libra-peso. Analistas internacionais chegaram a apontar nas últimas semanas que a próxima safra do Brasil poderia chegar a 60 milhões de sacas de 60 kg de arábica e também conilon, um recorde, mas já revisam essas projeções.

Cesar Colleti

O que acontece e como acontece em Franca e região