Embora o Queijo Minas Artesanal (QMA) seja uma das bases da gastronomia mineira e marque forte presença na culinária nacional, apenas oito produtores do Estado possuem autorização para comercializar a iguaria além das fronteiras mineiras. E nenhum pode vender o queijo para o exterior.
Para mudar essa realidade, e levar o queijo a outras regiões, tramita na Assembleia Legislativa um Projeto de Lei (PL), de autoria do Executivo, que vai valorizar o produto feito em Minas Gerais, independentemente da região ou da inovação aplicada. Significa que os produtores poderão criar queijos com fungos, por exemplo. Uma das exigências, no entanto, é a de que haja pesquisa científica sobre o assunto.
O tema ganhou destaque nas últimas semanas. Durante o Rock in Rio, a chef Roberta Sudbrack teve 160 quilos de alimentos artesanais, incluindo queijo, confiscados pela Vigilância Sanitária. Faltava um “carimbo”. Os produtos eram de Pernambuco, mas a repercussão nas redes sociais foi suficiente para que até mesmo a Câmara Federal discutisse a legislação do queijo.
Conforme projeções do mercado, 30 mil famílias mineiras produzem 50 mil toneladas queijo artesanal por ano. A esmagadora maioria comercializa o produto clandestinamente e sustenta a família a partir da iguaria. “Não podemos continuar tratando o Queijo Minas Artesanal como droga. A produção é um orgulho para os mineiros. A lei precisa mudar”, afirma o coordenador da Frente da Gastronomia Mineira e da Associação Brasileira dos Bares e Restaurantes em Minas Gerais (Abrasel), Ricardo Rodrigues.




