Um projeto de lei do Senado, que pode ser aprovado nas próximas semanas, altera o Cadastro Positivo e inclui, de forma automática, dados pessoais de consumidores nos bancos de dados de gerenciadoras de crédito, como Serasa Experian e Boa Vista.
Os dados são relativos a contas de serviços essenciais, como luz, gás e telefonia, bem como históricos financeiros. A dinâmica será igual à do Cadastro Negativo (conhecido popularmente como “ficar com nome sujo” ou “cair no SPC”), que inclui, sem necessidade de permissão, dados de consumidores que atrasam suas contas ou não quitam suas dívidas.
O Cadastro Positivo foi instituído por lei em 2012 e serve como atestado de comportamento financeiro. Se você entrar na lista, será considerado bom pagador. Terá uma nota (o score) e, se continuar pagando as contas em dia, poderá, em tese, usufruir de juros mais baixos, opções diversificadas de parcelamento e de empréstimo em instituições financeiras ou no varejo. A ideia é que um cadastro positivo eficiente também colabore para a inadimplência.
O senador Armando Monteiro (PTB-PE), relator do projeto (o PLS 212/2017), argumenta que a falta de informações sobre bons pagadores hoje os impede de acessar melhores condições de pagamento. Apesar da lei de 2012, a adesão é muito baixa. Em sessão no Senado, destacou que, no Brasil, há 22 milhões de pessoas consideradas “falsos negativos” e que seriam merecedoras de crédito. Como o projeto retira a necessidade de autorização expressa dos cidadãos, a expectativa é de maior movimento no mercado de crédito. Para Monteiro, a expansão pode representar 17% do PIB no médio prazo.




