sexta-feira, 19 jun 2026 ⛅ Franca/SP 14°C
DólarR$ 5,18▲ 0,0%
EuroR$ 5,98▲ 0,0%
Selic14,50%▲ 0,0%
BitcoinR$ 326 mil▲ 0,0%

Uma semana fora das redes sociais já tem efeito positivo para a sua saúde mental

Estudiosos e psicólogos acreditam que mesmo um intervalo de alguns dias sem acessar perfis pode fazer diferença

Compartilhar
Muitas pessoas colocaram como meta uma relação mais saudável com as redes sociais em 2023 – foto Freepik

 

É possível que muita gente tenha entre seus objetivos para 2023 uma relação mais saudável com seus celulares e contas em redes sociais.

E se é o seu caso, deixar seu perfil no Instagram, TikTok ou Twitter de lado pode trazer benefícios para a saúde mental.

Estudo publicado em março do ano passado por um grupo de estudiosos da Universidade de Bath, na Inglaterra, sugere que um jejum de 7 dias de plataformas sociais já oferece efeitos positivos contra ansiedade e depressão.

Continua depois da publicidade

“Claro que mídias sociais são parte da vida de muita gente, é parte indispensável de quem são e como interagem com o outro”, disse à Business Insider o dr. Jeff Lambert, autor-chefe do estudo.

“Mas se você passa horas toda semana ‘rolando’ o feed e sente que isso te impacta negativamente, pode valer a pena diminuir o uso e ver se isso ajuda”.

Vale salientar que o estudo notou apenas flutuações nos níveis de stress e ansiedade (eles diminuíram entre o grupo de voluntários que ficou de fora das redes, e aumentou para quem permaneceu conectado).

A equipe não argumenta que essas plataformas levem diretamente ao aparecimento desses quadros. O estudo foi realizado com 154 pessoas entre 18 e 72 anos cujo uso diário médio é de oito horas por semana.

“O que mais vejo no consultório são pais reclamando que os filhos estão só no celular, filhos reclamando de pais distantes, maridos reclamando das parceiras”, diz a dra. Vanessa Gebrim, especialista em Psicologia Clínica pela PUC de SP.

“Com o uso excessivo das redes sociais, a pessoa deixa sua vida de lado, deixa sua realidade para fazer parte de uma realidade que não existe”.

“O ideal é não ficar mais de 2 horas por dia”, explica. “É claro que as pessoas trabalham com internet, tem essa questão do dia a dia, mas estou falando da rede social como distração”, conclui.

A Dra. Gebrim vê sentido no resultado da pesquisa inglesa, no sentido que mesmo uma pausa breve pode abrir a pessoa a rotinas alternativas – e mais desconectadas.

O uso viciado de plataformas como Instagram e Twitter, diz, libera no organismo um hormônio chamado dopamina, que também gera dependência.

“Quanto mais você fica preso ao estímulo, mais se sente dependente. O ideal é dar uma pausa, para fazer com que a pessoa tenha um tempo de criar outros hábitos, ou fortalecer hábitos mais saudáveis”.

A prof. Andrea Jotta sugere uma abordagem calculada, que exclua as redes sociais de certos horários do dia e até cômodos do quarto.

Vale “tentar aos poucos tirar dispositivos conectados do quarto, não acessar de manhã, nem de madrugada”.

“É sempre bom lembrar que internet não é ar, não é comida, não é nada disso, você consegue muito bem viver sem”, diz.

O próprio sistema operacional do iPhone, através do recurso Tempo de Uso, assim como o do Android, via a seção Bem-estar digital também nas Configurações, ajudam usuários a entender quantas horas do dia passa vendo aplicativos.

Para a dra. Vanessa Gebrim, essas ferramentas podem ser importantes para dosar o uso, mas é necessária uma auto-avaliação antes de tudo.

“Acho que a primeira coisa é trazer a consciência de como esse excesso pode prejudicar, de quanto isso está sendo prejudicial para a vida da pessoa”, diz.

*Informações GQ Brasil