Unanimidade ou falta de opção nas décadas de 70 e 80? O que importa, na verdade, é que o Kichute, tênis que calçou 10 entre 10 garotos dessa época, fez história e deixou saudades.
O Kichute foi o sonho de consumo dos meninos de toda uma geração por décadas. Calçado simples e barato – e que servia tanto para o dia a dia quanto para jogar futebol na rua. Era um companheiro inseparável.
Lançado em 1970 pela Alpargatas, o calçado pegou carona e se aproveitou da paixão do brasileiro por futebol e a realização da Copa do México naquele ano. A seleção brasileira já era bicampeã mundial. Feito de lona resistente e com o solado que imitava os cravos de uma chuteira, o calçado era pretoe lembrava uma chuteira de verdade. Naquele tempo, não existiam variedades de modelos como hoje verdes, rosas ou douradas. Seu cadarço era imenso, o que fazia com que todo mundo o amarrasse dando voltas no tornozelo. Muito resistente, aguentava as duras partidas de futebol contra os meninos da “rua de baixo” e ainda acompanhava seu dono à escola. Aliás, era quase um item do uniforme dos colégios: a maioria deles exigia calçados pretos nos pés dos alunos. Ninguém largava seu Kichute por nada, e só o tiravam, relutantemente, pra tomar banho e dormir.





