
Quem já perdeu o melhor amigo – seja ele qualquer animal – sabe que, além da dor do luto, terá de enfrentar a incompreensão social. Apesar de os pets fazerem parte da família, muitas pessoas são incapazes de compreender que o sofrimento com a morte do bichinho costuma ser tão intenso quanto o causado pela morte de um parente.
A empresária Melissa Soares conhece esse sentimento. Em novembro, a gatinha Nina, companheira de 10 anos e a quem ela tinha como filha, foi diagnosticada com um câncer incurável. Depois de três meses, o organismo sinalizou que não estava suportando mais os medicamentos. A empresária teve de tomar uma decisão: deixar a quimioterapia e começar o tratamento paliativo, que, se por um lado encurtaria a vida da gatinha, por outra, garantiria maior qualidade de vida. Depois de quatro meses o câncer voltou. Para evitar mais sofrimento, Melissa decidiu pela eutanásia. “Tive todos os sintomas que temos quando uma pessoa morre. Nos primeiros três dias, recebi apoio, mas depois era aquela coisa de falarem ‘era só um gato”, relata. Inconsolável, ela procurou um terapeuta, quando ouviu uma lição preciosa: “Ele me disse que as pessoas não veem problema de chorar por causa de um iPhone quebrado, mas não entendem alguém que chora por causa de um animal”. As sessões foram fundamentais para Melissa enfrentar o preconceito.
Ressignificado
Segundo a psicóloga Vitória Faleiros, o luto é uma resposta natural a qualquer perda importante na vida. O luto é ausência do que foi perdido, seja uma pessoa ou um animal. “Essa ausência precisa ser vivenciada e não evitada. Todos estes sentimentos são reorganizados, ressignificados no processo do luto. É importante que a pessoa passe por essa fase naturalmente”, observa ela, que reconhece que as pessoas têm dificuldade em lidar ou falar da morte e, quando se trata de um animal de estimação, existe preconceito em relação ao luto pelo animal. “Já ouvi muito: ‘mas que bobagem, parece que morreu um parente’, não levando em conta o papel que o animal exercia em nossas vidas”, conta.




