
O filho único “reinava” sozinho na
família, sendo depositário de todos os mimos e carinhos possíveis… até que, um
dia, recebe a notícia de que seu reinado vai ser dividido com outro serzinho,
que está dentro da barriga da mãe. Aí começam os problemas: ao nascer, o mais
novo passa a ser o alvo das atenções, a receber visitas e presentes e, a mãe,
antes só sua, se volta totalmente para o bebê. Ele se sente desamado, inseguro,
enciumado, excluído e, por medo de perder o carinho e a atenção dos pais,
rejeita ou até mesmo agride o bebê. Como lidar com essa situação? “Os pais devem saber se terão disponibilidade de tempo
para a criança. Se não há tempo para cuidar do primeiro filho, nem vale a pena
ter o segundo. A questão financeira também deve ser levada em consideração”,
diz a psicóloga Kamila Andrade, observando que os ciúmes são mais comuns em
irmãos com pouca diferença de idade. Por isso, aponta que o melhor espaçamento
entre as idades do primeiro e segundo filho é de sete anos. “Por volta dos
sete, oito anos de idade, a criança está começando a adquirir independência e
não se importa tanto com a chegada de um irmão. Ela consegue perder o colo da
mãe sem se sentir rejeitada e ameaçada”, pondera.
Isso não significa que
filhos com uma diferença menor de sete anos estejam destinados a competirem
entre si. Tudo depende de como os pais encaram a situação e expõem o nascimento
do bebê ao irmão. “Se a criança é bem trabalhada, se os pais estabelecem
um diálogo franco, ela vai saber receber bem um irmão em qualquer
momento”, argumenta a psicóloga. Se mesmo depois de preparar a criança
para a chegada do irmão ela ainda se sentir insegura em relação ao amor dos
pais, “eles precisam deixar claro, através de atos e palavras, que cada
filho tem suas qualidades e são amados do jeito que são”, sugere Kamila.




