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Fábricas têm encontrado dificuldade para contratar profissionais especializados

Nova geração tem dado preferência a outras áreas de atuação como a informática

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Fábricas de calçados têm dificuldades para atrair jovens como acontecia no passado (Foto: Reprodução)

​O perfil da economia na cidade de Franca tem sofrido alterações ao longo das últimas décadas. O calçado, que antes era a primeira profissão da maioria dos jovens, tem ficado em segundo plano e outras profissões têm conquistado a preferência dos novos profissionais. Desta forma as fábricas encontram dificuldades para contratar profissionais especializados em sua linha de produção.

Marcelo tem 15 anos e já definiu em que área vai atuar profissionalmente. Ele faz curso de torneiro mecânico, com duração de dois anos, e pretende após o ensino médio estudar engenharia da produção. “Meu pai é cortador de calçados e conseguiu dar o melhor pra gente até hoje, mas para isso muitas vezes teve que trabalhar sábados domingos e feriados e também a noite toda. Eu quero seguir outro caminho”, disse.

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O adolescente afirma que de todos os amigos somente um seguiu no setor calçadista e que todos os demais preferem outros campos de produção ou então as áreas de tecnologia e Informática. “A maioria de nós vê o que os nossos pais passam em uma fábrica de calçados. Eles não são valorizados. O sapateiro trabalha muito e ganha muito pouco” explicou o garoto.

Desta forma as fábricas de calçados têm sofrido uma espécie de envelhecimento em suas linhas de produção, uma vez que os novos profissionais decidem seguir por outras profissões que não o calçado.

“Vejo que anos atrás era cheio de garotos novos nas esteiras e hoje temos problemas sempre que precisamos encontrar profissionais habilitados em determinadas áreas A blaqueação é um exemplo onde a maioria dos profissionais estão acima dos 40 anos”, disse Paulo da Silva Veiga, fabricante de calçados.

Entre os principais motivos apontados pelos próprios sapateiros para que as novas gerações busquem outras áreas estão a falta de um plano de carreira e também os baixos salários pagos na área. “Eu tinha uma banca de pesponto e faturava livre perto de seis salários mínimos por mês. Hoje trabalho como empregado em uma fábrica por peça e com muito custo tiro dois salários mínimos por mês”, afirmou João Carlos dos Santos.

Cesar Colleti

O que acontece e como acontece em Franca e região