Texto de Paulo César Corrêa Borges[1]
A realidade brasileira e de toda a América Latina revela um grande contingente de pessoas vivendo abaixo da linha da pobreza e expostas a diferentes formas de exploração, destacando-se a laboral e a sexual, além da exposição a diferentes formas de violência e de violação de diversos direitos humanos fundamentais.
Nos últimos anos, diferentes crises aumentaram a grave situação de vulnerabilidade social das pessoas, particularmente das mais pobres, ampliando os riscos de exploração e violação de direitos. Neste sentido, destaca-se que, segundo o relatório “Síntese dos Indicadores Sociais – 2017”, no Brasil, “(…) a taxa de desocupação da população em geral subiu de 6,8%, em 2014, para 11,3%, em 2016”. Além disso, a análise da referida pesquisa permitiu concluir a maior vulnerabilidade dos jovens menos qualificados: “45,8% dos jovens de 18 a 24 anos e 39,2% dos jovens de 25 a 29 anos com no máximo o ensino fundamental incompleto não estudavam nem estavam ocupados”[2].
É diante dessa conjuntura que se busca identificar os impactos da vulnerabilidade das pessoas na exposição aos riscos do tráfico interno e internacional, para fins de exploração sexual e laboral, que constitui-se em forma contemporânea de escravidão[3], em pleno Século XXI, temática que preocupa diversos organismos nacionais e internacionais (ONU, OIT, OIM etc.), e que tem fomentado diversas pesquisa em redes das quais o Programa de Pós-graduação em Direito da Unesp (PPGDIREITO/UNESP/FRANCA) participa, tais como a Red Iberoamericana de investigación sobre formas contemporáneas de esclavitud y Derechos Humanos[4]; Grupo de Pesquisa Trabalho Escravo Contemporâneo[5]; em certa medida, com enfoque na relação de empresas transnacionais e direitos humanos, o Consórcio Latino-Americano de Pós-Graduação em Direitos Humanos[6]; e o Núcleo de Estudos da Tutela Penal e Educação em DDHH[7], liderado pela UNESP.




