Uma das alegorias mais comentadas dos desfiles do Grupo Especial do carnaval carioca, o carro da Pietá negra, que encerrou o desfile do Salgueiro na segunda-feira, levou à Sapucaí a obra de uma escritora pouco conhecida do grande público, mas que se tornou uma das maiores expressões negras das letras brasileiras.
A escultura trazia partes do texto de “Quarto de despejo”, primeiro livro publicado em 1960 por Carolina Maria de Jesus (1914 — 1977), uma catadora de papéis que foi descoberta pelo jornalista Audálio Dantas na extinta favela do Canindé, Zona Norte de São Paulo.
Filha de pais analfabetos, Carolina de Jesus nasceu numa comunidade rural em Sacramento (MG) e se mudou aos 23 anos para São Paulo, onde teve seus três filhos.
Em 1947, sem emprego e grávida aos 33 anos, foi obrigada a seguir para a comunidade do Canindé, onde começou a registrar o seu cotidiano e de seus vizinhos.




