Em um ano de inflação baixa, a conta de luz deve
ter um peso extra no bolso dos consumidores. Segundo estimativas da Agência
Nacional de Energia Elétrica (Aneel), o reajuste médio nas contas ficará acima
de 10% este ano. Em alguns casos, a alta deve superar a casa dos 20%.
As razões para esse aumento, muito acima do Índice
Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) previsto para o ano, são a falta
de chuvas, que levou ao acionamento de usinas térmicas, muito mais caras que as
hidrelétricas, mas também os subsídios embutidos na conta de luz, que não param
de crescer, e segundo executivos do setor, erros de planejamento.
Gestão
Diversos fatores explicam o aumento, mas há uma avaliação de que
falhas cometidas na gestão do setor elétrico no passado têm causado impacto nas
tarifas até hoje. O presidente da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), Luiz
Barroso, lembra que principalmente nos últimos anos da gestão Dilma Rousseff
foram realizados leilões para contratação de novas usinas e linhas em nível bem
acima do necessário, por conta da recessão. Segundo ele, somente no ano passado
o consumo de energia voltou aos patamares registrados em 2014. “Perdemos
três anos de crescimento por causa da recessão. Parte desses custos da tarifa
hoje serve para pagar reforços nos sistemas de geração e transmissão que vieram
para atender a um mercado que não se concretizou”, afirmou Barroso.




