Há algum tempo, a assessora de comunicação Amália Stringhini, 38 anos, esposa do jornalista e âncora do Jornal Hoje, da Rede Globo, Evaristo Costa, sofreu três AVCs – Acidente Vascular Cerebral. Por sua idade e histórico de saúde e hábitos – ela mantinha uma rotina de atividades físicas e alimentação balanceada, a situação é considerada atípica. Isto porque não é comum uma pessoa sofrer três acidentes vasculares seguidos, ainda mais se tratando de um jovem. O fato é que, Amália – que não ficou com sequelas – não é a única a ter passado por isso.
Segundo dados do Ministério da Saúde, 62 mil pessoas abaixo dos 45 anos morreram no Brasil por esta causa entre os anos de 2000 e 2010. Estatísticas também apontam que de 1998 a 2007 houve um crescimento de 64% nas internações por AVC entre homens de 15 a 34 anos, e de 41% entre mulheres na mesma faixa etária. Ainda faltam pesquisas recentes, mas os especialistas atestam que essa tendência continua, botando por terra de vez a ideia de que o popular derrame era um mal exclusivo para pessoas mais velhas.
E as justificativas vão desde hábitos poucos saudáveis até a melhora no diagnóstico. De acordo com a neurologista Edith Aparecida de Pádua, o estresse é um dos grandes culpados. “O controle da pressão e do açúcar no sangue é feito pelo estresse. A pessoa tende a fumar mais e a fazer menos exercícios físicos, ficando mais exposta aos fatores de risco”, explica. Ela lembra que comodidades como carro, controle remoto e fast food fazem com que as pessoas se movimentem cada vez menos.
Os tipos comuns
Popularmente conhecido como derrame, o AVC pode ser isquêmico – mais comum, é um entupimento de artérias responsáveis pela circulação do sangue no cérebro, ou hemorrágico – quando uma artéria se rompe, geralmente por causa de pressão alta. E existem ainda os pequenos AVCs, chamados de lacuna, que podem ocorrer várias vezes sem que a pessoa perceba. “Quando o paciente chega a uma unidade hospitalar dentro de 4h30 é possível tratá-lo com um medicamento chamado trombolítico, no caso do isquêmico, que desfaz o coágulo e normaliza o fluxo sanguíneo até o cérebro. Caso isso seja possível, a chance de se ter uma sequela diminui consideravelmente”, esclarece Edith. Ela diz ainda que se o tratamento for feito de maneira rápida, se a artéria for recanalizada rapidamente, o paciente pode sair totalmente sem sequelas.
Na maioria das vezes, o AVC não dá aviso prévio. Ele se instala em minutos e pode comprometer fala, visão, equilíbrio e locomoção. É importante estar em dia com a saúde física e mental, e realizar exames médicos regularmente. Alguns testes rápidos podem ajudar a avaliar se o diagnóstico é de AVC ou não. Primeiro, deve-se pedir ao paciente que repita uma frase ou cante uma música. Depois, peça para que ele sorria. “Se ele desviar o lábio, devemos ficar atentos”, observa a médica. Por último, peça a ele que estenda os braços para cima. Se um deles cair, é praticamente sinal de que ele está passando pelo problema.

Foi graças à observação do irmão mais velho que a pedagoga Elisângela Soares, 39 anos, foi salva. “Estávamos conversando quando de repente, não conseguia mais falar e nem me mexer. Depois, só lembro de acordar no hospital”, conta. Elisângela teve há quatro anos um AVC isquêmico e pela rapidez do atendimento, não ficou com nenhuma sequela. “Nunca imaginei que alguém da minha idade pudesse ter. Desde então, tenho cuidado redobrado com minha saúde, principalmente a emocional e mental”, diz ela, que na época do AVC vivia um período conturbado no casamento e no trabalho.



