Longe do famoso mar
azul-turquesa que cerca a ilha, o interior da Sardenha, na Itália, é um
labirinto retorcido de profundos precipícios e maciços impenetráveis que
escondem algumas das mais antigas tradições da Europa.
Os habitantes daqui falam o sardo, o idioma moderno mais próximo
do latim. Debaixo de véus bordados, velhinhas observam com cautela os
forasteiros. E em um modesto apartamento na vila de Nuoro, uma franzina senhora
de 62 anos, chamada Paola Abraini, fabrica o macarrão mais raro do mundo, o su filindeu.
Apenas duas outras mulheres em todo o planeta ainda sabem como
fabricar a massa: a sobrinha de Abraini e a cunhada dela, que também moram
nesta cidade na encosta do Monte Ortobene.
Ninguém se lembra como ou por que as mulheres de Nuoro começaram
a preparar o su filindeu (que
significa “os fios de Deus”).




