A medida provisória
que prevê ajustes na reforma trabalhista está prestes a perder sua
validade. Para virar lei, o texto precisaria ser aprovado no Congresso até o
dia 23 deste mês. Mas há poucas chances de o prazo ser cumprido. O presidente
da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, já disse que receberia o projeto de
conversão da MP em lei somente até esta terça, dia 03 de abril. Mas a comissão
que deveria analisar a matéria não escolheu nem o relator ainda.
Rodrigo Maia disse que a caducidade da MP não
inviabiliza a reforma trabalhista. O problema é que a perda da validade da
MP traz questionamentos sobre pontos fundamentais da reforma trabalhista. O
principal deles é saber se a reforma, em vigor desde novembro, vale para todos
os contratos ou apenas para os celebrados a partir de sua vigência. “Se a MP
cair, volta a discussão se a reforma trabalhista se aplicará somente a contratos
firmados após novembro do ano passado, quando entrou em vigor, ou se vai
retroagir”, explicou o advogado Rodrigo Salerno, especialista em Direito do
Trabalho do Salerno, Amorim e Zani Advogados.
Na avaliação de especialistas em direito
trabalhista, a perda da validade traz insegurança jurídica sobre todos os
acordos firmados com base na MP. Mas Rodrigo Maia disse que a judicialização já
está ocorrendo. “A brecha para a judicialização já está ocorrendo porque parte
do Judiciário da área do trabalho fazendo o questionamento político da decisão
majoritária do Congresso Nacional, o trabalho da Justiça do Trabalho é aplicar
a lei e qualquer questionamento jurídico de constitucionalidade caberia ao
Supremo e não à Justiça do Trabalho. Vamos continuar defendendo o que
aprovamos, com a certeza de que a matéria é legal”, afirmou o deputado.
A medida provisória foi editada em cumprimento a um
acordo feito entre o presidente da República, Michel Temer, e o Congresso para
acelerar a votação da reforma trabalhista. Uma saída seria Temer editar outra
MP depois que caísse a atual e, assim, ganhar mais 120 dias para a aprovação do
texto. No entanto, em ano de eleição, especialistas acham pouco provável a
utilização dessa estratégia.




