
1º de janeiro de 2016, por volta das três da madrugada a 1700m de altitude, em Campos do Jordão, o garçom Wando – àquele momento com a gravata borboleta a 45º e camisa sobrando por fora da
calça -, sugeriu um reconfortante prato de picadinho que, segundo ele, ideal
para recuperar disposições abaladas por vinhos e espumantes além da conta. Aceitei.
Wando tinha razão, o prato estava saboroso. A carne era de primeira – pontas de
filé mignon picadas – temperadas com cebolinha, louro, sálvia, segurelha,
alecrim e manjericão, além dos convencionais, sal, pimenta, tomates machucados
e manteiga. O segredo, segundo ele, está no tempo de refogar este ou aquele
ingrediente ou na ordem que se acrescenta os temperos. O resultado servido numa
travessa rústica de barro, com arroz, agrião rasgado, farinha de mesa e um ovo
poché por cima, tornou o prato convidativo.
Já havia provado um bom picadinho há dois anos numa visita ao Rio de Janeiro, num bar em Ipanema. Foi uma experiência interessante. O maître da casa, não consigo lembrar o nome dele, todo pomposo, em toda mesa de não cariocas, contava a história do prato e como se tornou um clássico nos restaurantes locais.





