
A indústria de
calçados Fio Terra deu aviso, no dia 11 de dezembro, aos seus 160
funcionários. As rescisões seriam pagas entre hoje e amanhã, mas
um ofício foi enviado ao Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias
de Calçados do Município de Franca informando que a empresa não
conseguiria arcar com os pagamentos.
Uma proposta chegou
a ser feita, de parcelamento dos valores em 36 vezes, mas foi
repudiada de imediato pelo sindicato. “É uma empresa média, com
160 a 180 funcionários, que produzia perto de 1,5 mil pares por dia
e não apresenta um histórico de problemas e nos pegou de surpresa.
O que propuseram não tem como aceitar”, afirmou Leonardo Corrêa,
advogado da entidade trabalhista.
O advogado diz que
não tem conhecimento dos valores da dívida, mas que a mesma é
composta por três meses de recolhimento de FGTS atrasados e as
demais verbas rescisórias, como férias, 13º salário, multa de 40%
e saldo de salários do mês de dezembro. “Estamos entrando ainda
hoje, por determinação do presidente Aguinaldo Madaleno, com ação trabalhista, pelo sistema eletrônico, com pedido de
tutela antecipada do arresto dos bens da fábrica para garantir os
direitos dos trabalhadores”, disse Corrêa.
Outro fato que
despertou a atenção do advogado é que a empresa, tão logo deu
aviso aos funcionários, ingressou na Justiça com um pedido de
recuperação judicial. “É estranho, porque o foco da recuperação
é impedir a empresa de falir, parar de produzir e demitir os
funcionários. Mas nesse caso, se mandaram todos embora, não tem o
que recuperar”, afirmou o advogado do sindicato.
No início da
noite desta quinta-feira, 7, a reportagem do Jornal da Franca tentou contato com a Fio Terra,
mas o telefone da empresa apenas chamou sem que ninguém atendesse.



