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Cresce número de pessoas que investem no próprio negócio para superar crise

Motivados pelo sonho do próprio negócio, francanos vencem o medo e se tornam empreendedores

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Renata trabalha bem mais hoje, mas não percebe o peso da rotina por fazer o que ama

Correr literalmente atrás de um sonho. A frase se tornou realidade para Renata Costa Telles Duarte, proprietária da Sun Moon Moda, que está no mercado há mais de três anos. Quem vê seu sorriso largo não faz ideia do quanto teve de lutar para chegar aonde está: em pleno processo de fortalecimento de sua marca e conquistando cada vez mais o respeito e confiança de seus clientes.

A empreendedora trabalhou 11 anos em um banco e há alguns anos já pensava em mudar de ramo por não estar feliz com a rotina estressante que afetava sua saúde. Todo mês ela ia parar no hospital, sempre com um diagnóstico diferente. Além disso, descontava seu estresse nas pessoas que mais ama. Enfim, estava infeliz, até que foi para São Paulo e trouxe algumas roupas para ver se conseguia vender. “Vendi tudo e decidi levar as duas atividades paralelamente, o que aconteceu por dois anos e meio”, conta. Após planejar e economizar para investir no próprio negócio, Renata procurou o Sebrae, passou a buscar roupas em Goiânia (GO) e Londrina (PR). Sua mãe cedeu um espaço no fundo de casa para ela expor os produtos. O negócio cresceu e após retornar de sua licença-maternidade, ela pediu para ser dispensada do banco. “Estava vendo vários pontos comerciais, fiz pesquisa de mercado antes de escolher o Shopping do Calçado, fiz o Empretec do Sebrae e contei com o apoio da minha mãe e do meu marido, e tudo tem dado certo”, diz.

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Hoje, Renata conta com duas funcionárias e em processo de investimento na loja, comemorando o crescimento das vendas. “Investir no meu sonho, no meu próprio negócio, foi a melhor coisa. Trabalho muito mais do que quando estava no banco, mas nem sinto, porque trabalho com o que amo, trabalho com prazer”.

Empreendedorismo em alta

À frente do escritório do Sebrae, Rogério reconhece a tendência ao empreendedorismo

Renata faz parte de uma estatística que não para de crescer em Franca: a de pessoas que em busca de uma boa oportunidade no mercado, investem na abertura do próprio negócio. Segundo dados da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Social, nos últimos cinco anos, o número de empresas abertas em Franca mais que dobrou. Em média, são abertas 200 empresas por mês. “O empreendedorismo é uma tendência de mercado em razão das oportunidades que surgem”, observa o gerente do Escritório Regional do Sebrae-SP, Rogério Volpini.

Prova disso é que em 2009 a cidade possuía 22.223 empresas ativas; 11 anos depois, de 2012 para 2013, o número subiu de 26.773 para 30.172 empresas. Em 2014, Franca tinha 41.658 empresas em atividade. Uma destas é a Souza e Souza Empreendimentos Financeiros. Sob a direção de Sara Cristina de Souza, ela está no mercado há pouco mais de um ano e surgiu do amor de Sara pela profissão. “Era vendedora de consórcios e após planejar cada passo que seria dado, decidi me tornar independente”, conta a empresária, cujo público-alvo envolve desde aposentados, pensionistas até autônomos, através de empréstimos para os mais variados fins. “Vejo que fiz a melhor escolha, pois me sinto realizada e plena com a consolidação da empresa no mercado”, diz.

Pesquisa feita pelo Instituto Data Popular revela que 38,5 milhões de brasileiros têm a intenção de abrir o próprio negócio. Segundo o levantamento, 28% dos brasileiros querem empreender atualmente, contra 23% registrados em 2013. A pesquisa apontou que 78% das pessoas que querem empreender já se preparam para abrir o próprio negócio: 38% pesquisam a área em que desejam atuar, 28% guardam dinheiro para investir e 12% se aperfeiçoam em cursos e estudos. Foi o que fez Juliana Pimenta ao decidir ingressar na área de vendas de cosméticos para obter uma renda complementar. “O planejamento deve ser um hábito. Continuo fazendo meu planejamento semanal, mensal, anual e já tenho uma projeção para os próximos cinco anos”, revela. Desde o início ela se surpreendeu com os ganhos, não apenas financeiros, mas também em reconhecimentos, plano de carreira, treinamentos. “Conciliei as duas atividades por um ano, até que meu marido chamou minha atenção para os meus ganhos, que já eram maiores do que onde estava com a carteira assinada. Além disso, a empresa proporciona um plano de carreira bem definido, que hoje me agrega uma segunda via de ganhos”, conta.

De uma renda complementar para o posto de empresária foi um pulo para Juliana

Juliana tem uma equipe pela qual é responsável por treinar e motivar, mas cada um dos integrantes é dono de seu negócio independente. “Todos eles têm as mesmas possibilidades de ganhos e crescimento que eu. Apenas mostro o caminho para que eles trabalhem pelos seus objetivos”, explica. Sem necessidade de estrutura física, Juliana vai até os clientes, realizando um trabalho personalizado. “Meus ganhos são de acordo com meu trabalho. Se eu quiser ganhar mais ou crescer mais um degrau em minha carreira, sei o que preciso fazer”, destaca.

Porque abrir uma empresa?

Ainda de acordo com a pesquisa do Instituto Data Popular, a possibilidade de ganhar mais, crescer profissionalmente e não ter chefe são os principais motivos que incentivam a abertura do próprio negócio. Tudo isso e a busca por melhor qualidade de vida foram o que impulsionou Juliana. “Posso definir meus horários e futuramente conciliar minha carreira com um dos meus maiores sonhos que é ser mãe”.

O que merece destaque é o fato que, pela primeira vez, os empreendedores de oportunidades – os que planejam a abertura do negócio – superam os empreendedores de necessidade – os que se aventuram nos negócios, apontando a melhoria do potencial dos francanos. Mediante tamanho desempenho, cabe a pergunta: empreender ficou mais fácil? Para Rogério Volpini, hoje está mais fácil empreender pelo acesso à informação, ao crédito e à capacitação. Sem contar as medidas tomadas para incentivar a formalização. “Existem iniciativas entre o Sebrae, os governos e as demais instituições para estimular o empreendedorismo. Sem contar todo o suporte oferecido pelo Sebrae para auxiliar o empreendedor em todas as etapas de seu negócio”, pondera.

Foi após oito anos exercendo atividades de treinamento e consultoria para empresários e futuros empresários nos escritórios regionais de Barretos e Franca do Sebrae que Mateus Morales Saturi decidiu abrir a própria empresa. “Realizei pesquisas de mercado, buscando uma alternativa para aplicar meus conhecimentos. Foi neste momento que surgiu a oportunidade de empreender no setor imobiliário. Percebi um mercado promissor, que passava por um momento de expansão”, comenta.

Após oito anos na atividades no Sebrae, Mateus decidiu investir no próprio negócio

O planejamento da Villa Mudare transcorreu durante um ano e meio, período em que Mateus definiu pontos estratégicos como análise de mercado, de concorrentes, de clientes, oportunidades e ameaças. Mas uma das fases mais importante desse processo foi a análise financeira, que envolve os valores de investimento, análise de fluxo de caixa e a necessidade de capital de giro. Ele procurou obter o máximo de informações sobre o produto para melhor definir seu público-alvo e assim verificar qual seria a melhor localização para instalar a empresa.

Como se dar bem

Rogério diz que posturas como a de Mateus são as indicadas para quem deseja empreender. “Não se pode trabalhar com achismo, o mercado não aceita este tipo de condição. É preciso ter embasamento durante todo o processo”, reforça. A Villa Mudare Negócios Imobiliários iniciou suas atividades em 2012, como empresa de consultoria, soluções inovadoras e gestão em negócios imobiliários. “A empresa foi criada a partir da percepção das necessidades dos clientes em obter soluções rápidas e eficazes na hora de fechar seus negócios”, salienta Mateus, que passou a se dedicar exclusivamente ao seu negócio a partir de 2014. “O momento político parecia não estar favorável, mas a vontade, o risco calculado, os estudos indicando o mercado em expansão e a carência de bons profissionais que ao invés de ‘entregar problemas’ ao cliente ‘entregam soluções’, facilitaram na hora da tomada de decisão”, completa.

Durante a consolidação de seu negócio, Mateus enfrentou situações preocupantes, principalmente com a oscilação de mercado nos períodos de Copa do Mundo, eleições, crises no sistema financeiro habitacional e as inconstâncias políticas. “É nestes momentos que nos reinventamos e que as inovações surgem, até porque, nem tudo são flores e é preciso muito tempo de ‘transpiração’, persistência, pró-atividade, dinamismo e estudo para conquistar a independência”, pondera.

Planejando para crescer

Daniela e Marcelo dirigem desde março deste ano o Costelão de Ouro Premium

O casal Daniela Leite de Carvalho e Marcelo Meneguini Tavares concorda, mas diz que quem se disponibiliza a abrir uma empresa precisa saber que está aberto a correr riscos, afinal, o negócio pode ou não dar certo, pode ou não formar clientela rápido, entre várias incertezas. “O que diminui os riscos é o planejamento. Saber para quem vender, quando, como, onde, porque comprariam seu produto, enfim, se preparar e adiantar os possíveis acontecimentos”, observam. Mas essa conduta analítica e preventiva nem sempre fez parte da rotina de Daniela, que começou no mundo dos negócios quando ainda atuava como auxiliar administrativo em uma empresa. “Desde criança arrumava alguma coisa para vender e ter um dinheiro extra. Foi quando comecei a usar parte do meu salário para comprar sapatos e revendê-los para familiares e amigas. Nisso, tive a ideia de criar o site O Salto para vender para todo o Brasil. Mas não cheguei a me preparar para isso, pois usava o salário para pagar as contas da empresa e não tinha controle financeiro. Comprava tudo para a loja como se estivesse indo ao shopping comprar roupas para mim”, admite. Com o apoio de Marcelo, Daniela saiu do emprego para se dedicar à loja virtual, o que aconteceu por um ano, até que seu marido decidiu abrir a segunda unidade do restaurante da família. “O Costelão de Ouro Premium foi um projeto bem planejado. Eu já tinha passado pela experiência do Empretec e agora estava com meu marido como sócio, ele já tinha muita experiência com o mercado”, diz.

Por conta do restaurante, o casal deu uma “pausa” na loja virtual – em funcionamento desde abril de 2013 – para se dedicar ao novo negócio, inaugurado em março deste ano. Com uma equipe de nove pessoas, o Costelão de Ouro Premium funciona no Shopping do Calçado e se tornou mais uma opção no segmento de alimentação e lazer. “Fizemos uma ótima escolha ao investirmos em nosso próprio negócio, pois deixamos de pensar e agir para outras pessoas e passamos a fazer por nós mesmos, para nossa empresa e para nosso futuro”, enfatiza Daniela.

Os números de micros

Sara hoje comanda a Souza e Souza Empreendimentos Financeiros

Em seis anos, cinco milhões de brasileiros que trabalham por conta própria passaram a ser formalizados como Microempreendedores Individuais – MEIs. Em Franca, elas correspondem a 10.746 unidades, sendo 5.833 comandadas por homens e 4.913 por mulheres. “O MEI se consolidou como ponto de partida e alternativa para todo brasileiro que tem o sonho de trabalhar por conta própria, pois atende a pequenos empreendedores de forma simplificada, descomplicada e com redução de carga tributária”, salienta Rogério. E os dados mostram isso. Em julho de 2009, procuraram a formalização 1.256 pessoas. Em 2011, o MEI rompeu a marca de um milhão de pessoas – foram 1,5 milhão de formalizações alcançadas. Em 2012, com o aumento do limite de faturamento, de R$ 36 mil para os R$ 60 mil anuais, o modelo tomou corpo para chegar à marca de cinco milhões de formalizados.

Cesar Colleti

O que acontece e como acontece em Franca e região