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Durante 3 dias cão protege menino perdido em morro e o mantém aquecido até o resgate

Mais de 100 pessoas se mobilizavam para encontrar o menino desaparecido em trilha no morro, mas protegido por um cão herói

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Hachi, o cão que salvou a vida de um garoto de 11 anos  (Foto: Ecuavisa)

No dia 9 de novembro, Lucas Campaña, de 11 anos, saiu para fazer uma trilha no morro Puñay com a família, no Equador. Tudo estava bem, até que o menino decidiu descer a montanha por um caminho alternativo. Minutos depois, ele desapareceu sem deixar rastro.

“Eu estava descendo a colina sozinho, porque estava no topo, e havia outro caminho para subir, mas havia uma pedra bem ali e eu caí. Foi onde encontraram a mala”, contou Lucas aos moradores que o encontraram, segundo o Ecuavisa.

A queda o levou para uma área pantanosa, a cerca de 2.100 metros de altitude, onde o terreno irregular, a vegetação fechada e a neblina dificultaram qualquer tentativa de retornar à trilha. O garoto passou a noite ali, completamente sozinho. Quer dizer… quase.

O cão que não o abandonou

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Na região de Puñay, alguns cães aparecem diariamente para acompanhar os visitantes. Eles já são quase parte oficial da experiência do lugar, guiando trilhas, seguindo grupos e ganhando muitos petiscos. Um deles era Hachi.

Hachi pertence a Christopher Angamarca e sua família, que o resgataram ainda filhote em novembro de 2021. Ele estava em estado crítico quando foi encontrado. “Tudo começou quando minha avó estava esperando o ônibus e jogaram o cachorrinho para fora. As patas dele estavam quebradas”, contou a família.

O filhote se recuperou, cresceu forte e se tornou um dos três cães que sobem a montanha regularmente em busca de companhia e, com sorte, um pedaço de comida compartilhada pelos turistas. A rotina de Hachi, no entanto, estava prestes a mudar.

Presença heroica

Quando Lucas se perdeu, Hachi estava lá. E, ao contrário dos outros que sempre voltam para casa, o cão ficou. Durante as três noites em que o menino permaneceu desaparecido em Puñay, foi a presença de Hachi que impediu que tudo terminasse de forma trágica.

A região chega facilmente a 5°C durante a madrugada. Sozinho, molhado e ferido, Lucas não teria resistido ao frio severo. Mas ele não estava sozinho. Segundo o relato da comunidade, o menino abraçou o cão todas as noites para se aquecer.

Hachi se deixou envolver, permaneceu ao lado dele e compartilhou seu próprio calor em meio à escuridão da montanha.

Enquanto isso, mais de 100 pessoas se mobilizavam numa busca exaustiva que envolveu Cruz Vermelha, Forças Armadas, Polícia e bombeiros de Chunchi, Alausí e Riobamba. A procura foi difícil, mas mesmo assim, ninguém desistiu.

O momento do reencontro

Depois de três dias ininterruptos de buscas, quatro moradores avistaram Lucas numa depressão coberta de plantas, cercado por lama e quase sem conseguir se mover. Suas pernas estavam dormentes e ele tinha dois dedos do pé quebrados. Mas estava vivo. E, ao lado dele, estava Hachi.

O menino recebeu imediatamente um cobertor, água e comida. Os resgatistas precisaram carregá-lo pelos trechos mais íngremes enquanto o Grupo de Operações Especiais abria caminho entre galhos, raízes e pedras.

O menino foi levado a um hospital no cantão de Chunchi para avaliação, e passou bem. Hachi, por sua vez, voltou para casa sem perceber que acabara de salvar uma vida.

O herói do vilarejo

Na pequena comunidade de Santa Rosa, onde Hachi mora com a família e outros nove cães, o cenário é simples, mas a comida nunca falta. A família de Hachi se sustenta vendendo mantimentos, criando gado e alugando equipamentos de montanha para turistas.

Porém, nos últimos dias, a rotina mudou. Pessoas de várias regiões têm subido a Puñay só para conhecer o cãozinho herói. “Hachi está recebendo ajuda. Muitos vêm visitá-lo, trazem ração, deixam dinheiro para a sua alimentação”, contou Diana Molina, dona do cão, ao Ecuavisa.

O reconhecimento chegou em boa hora: Hachi está se recuperando de uma lesão ocular, e o tratamento é caro.

Os moradores, inclusive, têm pedido assistência veterinária para todos os cães da região que, apesar de acostumados à vida ao ar livre, enfrentam noites geladas e uma rotina intensa ao guiar visitantes.

A vida nos 3.270 metros de Puñay

Segundo o portal Amo Meu Pet, o morro Puñay é um local sagrado para o povo Cañari. Todos os verões, centenas de turistas visitam o topo, atraídos pela paisagem e pela energia do lugar.

E, em praticamente todos os relatos, a presença dos cães faz parte da experiência. Eles sobem, acompanham grupos, descansam ao lado das barracas e até entram nas tendas quando o frio fica mais intenso.

Hachi e seus amigos, Botón e Bengi, são os guardiões de um ambiente que pode ser tão deslumbrante quanto desafiador.

Mais de 100 pessoas se mobilizavam para encontrar o menino. (Foto: Ecuavisa)