Quando os dois primeiros parágrafos
deste texto terminarem de ser lidos, uma pessoa terá morrido por suicídio. A
cada 40 segundos, alguém no mundo interrompe a própria vida.
Segundo a Organização Mundial da Saúde
(OMS), o número de óbitos autoprovocados é significativamente maior que aqueles
causados por homicídio: 800 mil por ano, contra 470 mil. São mortes prematuras
que poderiam ser evitadas porque é possível preveni-las e não faltam
ferramentas para isso.
Contudo, as taxas continuam avançando,
especialmente em países pobres e em desenvolvimento. Para especialistas, esse
fenômeno complexo, que exige abordagens em múltiplas frentes, só poderá ser
efetivamente enfrentado quando se derrubar o preconceito contra doenças mentais.
Por muito tempo, evitou-se falar sobre
suicídio. Como um segredo familiar varrido para debaixo do tapete, ele ficou
invisível, porém sempre à espreita. Como era de se esperar, o silêncio não
curou essa chaga social. Na década de 1960, fundou-se a Associação
Internacional de Prevenção do Suicídio, maior organização não governamental de
atuação nessa área. Desde então, foi criado o Setembro Amarelo, data mundial de
conscientização sobre o problema, e campanhas passaram a falar mais abertamente
sobre o tabu.




