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Podcast mostra que humanos e animais de estimação compartilham afeto e sentimentos.

Pesquisas mostram que cuidar das emoções dos animais de estimação é tão essencial quanto atender às suas necessidades básicas.

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Quando Gris e Poá chegaram à casa de Stefania, ela não imaginava que dois gatinhos poderiam mudar tanto a sua vida e a forma de perceber o mundo.

A jornalista e documentarista, que nunca tinha convivido com gatos, passou a observá-los como quem descobre um mundo novo.

Certa vez, enquanto chorava, Poá tocou suavemente seu rosto com a pata, como se tentasse enxugar suas lágrimas. Em outras ocasiões, durante suas meditações, os dois se aproximavam e ela sentia que eles sintonizavam com ela na mesma vibração.

Será que ela estava projetando emoções humanas nos gatos ou realmente havia sentimentos compartilhados ali?

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Procurando dar a resposta

Essa é uma das questões que Stefania Fernandes procura responder em A Louca dos Gatos“, podcast narrativo que investiga a fronteira entre o que é considerado “loucura” e o que é “normal” na relação entre humanos e seus pets — especialmente gatos.

A primeira temporada tem seis episódios de aproximadamente 30 minutos. Num enredo leve, afetivo e investigativo, construído com apuração jornalística, Stefania combina histórias reais com entrevistas com biólogas, veterinárias, consultoras em comportamento felino, terapeutas, psicanalistas e amantes de gatos.

É como um “documentário em áudio”, que reúne informação científica, reflexões emocionais e dicas práticas, com profundidade e sensibilidade.

A questão de a capacidade dos gatos compartilharem emoções é destrinchada logo no primeiro episódio. A veterinária Sabina Scardua é uma das entrevistadas, e afirma:

Veja o que diz a veterinária

“Sim, os animais domésticos sentem emoções, como os humanos. A própria ciência se manifestou sobre isso. Em 2012, o Manifesto de Cambridge disse que cães, gatos, bovinos, ovinos e cavalos têm todo o aparato neural que justifica a consciência plena e todas as emoções que a gente conhece”, revela a veterinária no podcast.

Apresentada por especialistas internacionais em neurociência, a Declaração de Cambridge sobre a Consciência reconheceu que mamíferos, aves e até polvos possuem estruturas cerebrais capazes de gerar emoções e experiências subjetivas.

Antes, Charles Darwin já havia afirmado que não havia diferença fundamental entre o homem e os animais na sua capacidade de sentir prazer e dor, felicidade e sofrimento, mas sua tese tinha sido rejeitada.

O documento de Cambridge finalmente derrubou a ideia de que apenas humanos são capazes de sentir de forma consciente e impulsionou uma vasta produção científica que segue avançando.

Discussão jurídica

O novo entendimento se reflete também no campo jurídico. Este ano, entrou em discussão no Senado uma atualização do Código Civil que redefine a condição legal dos animais no Brasil.

A proposta reconhece cães, gatos e as demais espécies da fauna nacional como “seres sencientes” – e não mais como objetos ou coisas -, o que abre caminho para medidas como indenização por maus-tratos, guarda compartilhada e reparação por danos morais.

O reconhecimento científico de que os animais têm consciência e sentimentos transforma a forma como devemos nos relacionar com eles. Já se sabe que animais domésticos e de criação podem experimentar estresse, solidão e bem-estar, o que torna indispensável considerar suas necessidades emocionais no convívio e no manejo diário.

Pesquisas mostram que ambientes enriquecidos, previsíveis e sustentados por interações positivas reduzem o sofrimento e melhoram a saúde física e comportamental, reforçando que cuidar das emoções dos animais é tão essencial quanto atender às suas necessidades básicas.

Diante desse consenso, cabe a nós garantir condições de vida mais éticas, seguras e respeitosas a todas as espécies — porque, como a ciência já comprova, os animais sentem, e merecem viver com dignidade e bem-estar emocional.