Redes sociais inativas, e-mails sem resposta, ausência de propostas, nenhum site oficial e nenhuma prestação de contas dos gastos de campanha. Essa era a situação de cerca de 50% das candidaturas femininas à Câmara dos Vereadores de São Paulo nas eleições municipais de 2016, segundo um levantamento da plataforma Appartidarias.
O site é uma iniciativa do Grupo Mulheres do Brasil — ONG sem vínculos partidários, presidida pela empresária Luiza Trajano, do Magazine Luiza — e monitorou as campanhas de mulheres que se candidataram ao cargo de vereadora na cidade de São Paulo nas eleições de 2016. Neste ano, a plataforma voltará turbinada: vai fiscalizar as campanhas femininas para deputada federal e estadual em todo o Brasil em busca das candidatas que não recebem recurso ou apoio de seus partidos, as “invisíveis” (como foram chamadas aquelas com as características descritas acima).
O Appartidarias fará um monitoramento em tempo real por meio de vários indicadores, como prestação parcial de contas e atividade nas redes sociais, para informar ao Ministério Público e à população sobre as candidaturas de mulheres. O site também ganhará um componente extra de pressão para os partidos: chamará as legendas publicamente para dar explicações caso candidatas não estejam recebendo recursos ou não tenham o tempo de televisão adequado, por exemplo.
“Nosso objetivo é dar visibilidade às candidaturas femininas”, diz Lígia Pinto, líder do comitê de políticas públicas do Mulheres do Brasil. O grupo entende que ter mais mulheres na política é um fator essencial para atingir algumas de suas principais demandas: fim da violência contra mulher, igualdade racial e transformação da política pela democratização interna dos partidos.




