Ele deixou de ser prazer, ritual ou companhia de rotina. Em silêncio, o café virou prótese de um corpo exausto, de um cérebro sobrecarregado e de uma geração que já não descansa, apenas se estimula para continuar funcionando.
Durante muito tempo, o café ocupou um lugar afetivo na vida cotidiana. Era pausa, encontro, cheiro de casa, começo de manhã. Hoje, para muita gente, ele já não é mais isso. O café deixou de ser apenas um hábito cultural e se transformou em uma ferramenta de sobrevivência.
Não se toma mais café só porque se gosta. Toma-se porque, sem ele, o dia não anda, a cabeça não responde, o humor afunda e o corpo parece falhar.
Essa mudança diz muito sobre o tempo em que vivemos.




