Um novo relatório do Centro de Controle e Prevenção de
Doenças (CD), dos Estados Unidos, mostrou um aumento de 15% no número de
crianças que fazem parte do transtorno do espectro autista (TEA) em
relação aos dois anos anteriores. Isso significa 1 caso para cada 59 crianças
(estimativas de 2014, divulgadas agora) contra 1 em cada 68 (estimativas de
2012, divulgadas em 2017).
O aumento no número de casos, no entanto, não
significa necessariamente que mais pessoas tenham o autismo hoje do que há 50
anos, por exemplo. “Esse é um debate que ainda não temos resposta. Isso
porque o conceito de autismo é um alvo em movimento. No passado, apenas
considerávamos autistas aqueles bem severos, não verbais, com comportamentos
muito estereotipados e totalmente dependentes para viver. Hoje em dia, o
autista leve está inserido no espectro, então temos o diagnóstico de autista em
pessoas que são independentes, casados, cursando universidades, o que eleva o
número de casos”, disse o pesquisador Alysson Muotri, do Departamento de
Pediatria e Medicina Molecular, da Universidade da Califórnia em San Diego, e
uma das autoridades no assunto.
A conscientização do quadro clínico, a melhora no
diagnóstico, a possível ajuda governamental e o aumento do tamanho populacional
são outros fatores que fazem o número de autistas subir.
Em entrevista, Daisy Christensen, coautora do novo
relatório e líder da equipe de vigilância no ramo de deficiências de
desenvolvimento do Centro Nacional de Defeitos Congênitos e Deficiência do
Desenvolvimento, falou também sobre o entendimento em relação à prevalência do
autismo por raça e etnia. “Não temos nenhuma razão biológica para pensar
que a prevalência do autismo varia por raça ou etnia”, disse a pesquisadora,
contrapondo a ideia de que crianças negras e hispânicas têm menos probabilidade
de serem identificadas do que crianças brancas. Enquanto, em 2012, a
prevalência era cerca de 20% maior em crianças brancas do que em negras,
atualmente esse número é apenas 10% maior, afirma Christensen.




