Da garrafa plástica ao
protetor solar, do sabonete ao papel emitido pela máquina de cartão de crédito,
a concentração de compostos químicos de materiais que facilitam a vida das
pessoas é motivo de preocupação para pesquisadores da USP de Ribeirão Preto.
Chamadas de desreguladores endócrinos, substâncias
capazes de alterar a produção de hormônios no organismo associadas a câncer,
obesidade e até infertilidade foram encontradas em variedades e níveis
alarmantes em crianças de todas as regiões do país, segundo um recente estudo
publicado na revista científica Environment
International.
Ao todo, foram coletadas
amostras de urina de 300 crianças com idades entre 6 e 14 anos. Em mais da
metade delas, foram encontrados ao mesmo tempo 25 tipos de disruptores
endócrinos, segundo Bruno Alves Rocha, pesquisador do departamento de análises
clínicas e toxicológicas da Faculdade de Ciências Farmacêuticas da USP.
Em nota, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária
(Anvisa) informou que aditivos como esses analisados na pesquisa são adicionados
intencionalmente pelas empresas para exercer funções tecnológicas, mas estão
sujeitos a rígidas regulações e só podem ser usados em quantidades autorizadas
pela legislação pertinente. “A permissão de uso dessas substâncias em
alimentos e embalagens que entram em contato com alimentos, por exemplo, só é
realizada após comprovação de sua segurança de uso, por meio de estudos
toxicológicos e de avaliações de exposição, além da comprovação de sua
finalidade tecnológica”, comunicou.




