Imagine um emprego em que sua função é passar o dia todo ao telefone. Não
é exagero, é o dia todo mesmo, com direito a apenas uma pausa de 20 minutos
para a refeição e outras duas de 10 minutos cronometradas – assim como as idas
ao banheiro.
Do outro lado da linha, estão clientes irritados pelos problemas
causados por uma empresa da qual muitas vezes você não é funcionário e sobre a
qual não tem qualquer responsabilidade. No entanto, naquela ligação, é você
quem personifica todos os erros e os defeitos dela e, por causa disso, acaba
sendo o alvo da ira de todos aqueles consumidores insatisfeitos.
Os xingamentos vão desde “burro”, “incompetente”,
“ignorante” a até “você não presta para nada, por isso nunca vai
deixar de ser operador de telemarketing”. Desligar o telefone não é uma
opção, então a única alternativa é escutar os insultos calado. E não dá tempo
de respirar. Enquanto você tenta esquecer as ofensas que acabou de ouvir, o
telefone toca de novo, e é preciso disfarçar rapidamente e dizer com a voz
simpática: “Bom dia, senhor, em que posso ajudar?”.
Esse é o dia a dia de mais de um milhão de trabalhadores brasileiros que
atuam como operadores de telemarketing, recebendo todas as reclamações dos
serviços de atendimento ao consumidor das empresas no país e também ligando
para possíveis futuros clientes para oferecer serviços – que, muitas vezes, não
são desejados.




