Em 1962, a
ecóloga norte-americana Rachel Carson escreveu, na icônica obra Primavera Silenciosa,
que seria apontada como a fundadora do movimento ambientalista: “Se vamos viver
tão intimamente com esses químicos — comendo-os e bebendo-os, levando-os para a
medula de nossos ossos —, temos de entender algo sobre sua natureza e seu
poder”. Ela se referia aos pesticidas que, à época, não levantavam suspeita
entre a população e apenas começavam a atrair a desconfiança da comunidade
científica.
As denúncias
feitas por Carson receberam uma enxurrada de críticas da agroindústria, mas, na
mesma proporção, atraíram a confiança dos leitores, que começaram a exigir mais
clareza sobre os efeitos desses produtos na saúde humana.
Um ano
depois do lançamento do livro, um relatório do Comitê Científico da
Presidência, ocupada por John F. Kennedy, apoiou o conteúdo da obra, uma
tendência acompanhada por todo o mundo ocidental.
Passado mais
de meio século, o Brasil é acusado por médicos e cientistas de retroceder, indo
na direção contrária ao esclarecimento público, com a Câmara dos Deputados
dando aval a uma proposta que, entre outras coisas, trocará o nome de
agrotóxico por “defensivo fitonassanitário” e excluirá o Ministério da Saúde e
o Ministério do Meio Ambiente do processo de registro desses produtos.




