Ronaldo da Silva, 48 anos, decidiu abandonar o ramo calçadista ao ser demitido da Bottero na última semana. Embora estivesse há cinco anos e meio na empresa, sua experiência com sapatos vem de 1982, quando pisou pela primeira vez em uma linha de produção na vizinha Sapiranga.
Ele recém havia deixado a roça, em Santo Antônio da Patrulha, buscando melhores condições de vida nos vales do Sinos e do Paranhana. Com o desligamento, ele pretende ficar na informalidade por três anos, período que ainda precisa esperar para ter direito à aposentadoria.
— Vou fazer bicos de pedreiro, umas pinturas aqui e outras ali, até me aposentar. Estou enjoado do trabalho em fábrica de calçado. As condições pioraram muito nos últimos anos — contou.
Com dois filhos (de um e 12 anos) para criar, além de dois que já se casaram, o sapateiro se surpreendeu com a decisão da empresa de demiti-lo. Ele e os outros 250 funcionários daquela unidade, no bairro Fazenda Martins, em Parobé, foram informados da decisão no dia em que voltavam das férias de 30 dias. Na sexta-feira passada (13), muitos foram até o Departamento de Recursos Humanos da empresa acertar os valores da rescisão.




