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Entre a razão e a sensibilidade

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​São Paulo, domingo, meio dia, um pós café da manhã com cara de brunch no melhor estilo paulistano, e  não há escolha mais certeira do que uma passada em uma famosa livraria no Conjunto Nacional da Avenida Paulista. Definitivamente um dos melhores lugares para um viciado em livros. Você adentra aquele local todo em madeira, e já se depara com um café (afinal chás e cafés são os clássicos companheiros dos livros) e um grande dinossauro que por incrível que pareça faz aquela ‘escada’ de leitura um lugar aconchegante. Livros organizados cuidadosamente por categorias em prateleiras e outros tantos em pilhas grossas e magras, grandes e pequenas. Funcionários gentis sorriem e respeitam aquele momento de nostalgia oferecendo ajuda educadamente com um leve sorriso no rosto.

Aquele cheiro de papel e tinta recém-impressa evocam lembranças maravilhosas: um dia de verão e céu azul na praia, uma tarde de outono em um café, um sofá confortável e a chuva batendo na janela. Tudo isso acompanhado de um bom livro, seja qual for o seu gênero preferido. Neste mundo cada vez mais tecnológico, em que as facilidades dos e-books sobrepõe o prazer de um livro de papel nas mãos, esses pequenos prazeres como o cheiro de um livro novinho ou já mais velho ficaram cada vez mais escassos, quase que devaneios nostálgicos de lembranças do passado.

Foi pensado nessa paixão pelo mundo da leitura e dos seus aromas que duas empresas criaram produtos super legais para os leitores que são adeptos da tecnologia e de conseguir carregar quinhentos livros sem ter dor nas costas, mas que não abrem mão da experiência e sensação de abrir um livro seja ele novo ou velho.

A Smell of books criou variados aromas como o Cheiro de Livro Novo, que te dá a sensação do cheiro do papel recém impresso. Também disponíveis o Eau Você Tem Gatos (é como pegar emprestado um livro da casa da avó), Cheiro de Bacon Crocante (com baixo teor calórico, baixo nível de colesterol para um momento de prazer no seu almoço), e o Cheiro da Sensibilidade (seria como viver um romance com Jane Austen).

Já o perfumista Geza Schoen  juntamente com o designer Gerhard Steidl e a Wallpaper Magazine, projetaram o Paper Passion Perfume. A perfeita mistura do papel e tinta fresca com um toque do livro novo aberto pela primeira vez em que essa mistura já foi levemente alterada pelo tempo. Após dias em meio a papéis, tintas e livros e dezessete amostras, Schoen conseguiu equilibrar o cheiro do papel com a estética necessária para um perfume. A embalagem foi minuciosamente desenhada para fazer jus ao produto de dentro, ela é um livro real com um compartimento secreto em que se encontra o frasco. O produto final é um perfume único com notas amadeiradas que remetem à sensualidade e luxo que só os livros têm, nas palavras do estilista Karl Lagerfeld: o cheiro silencioso de papel.

Para os amantes dessa experiência de compra de livros que agora se rendem à praticidade dos e-books tão imediatista e indolor, essas são boas alternativas. Não é tão sentimental, não há dinossauros, nem cafés e atendentes sorridentes. Mas é mais uma oportunidade do mundo dos aromas te fazer viajar nas boas memórias, que nesse caso, o mundo moderno nos faz ‘evoluir’. É uma forma de dar um pouco mais de sentimento nesse mundo tão digital.

E você, prefere o lado da razão do mundo digital ou o lado da sensibilidade nostálgica?

*Esta coluna é semanal e atualizada às quintas-feiras.